Criação. 15 MAR 2021

«O Lusitano, aquele que mais pode servir a todo o tipo de cavaleiro»

Confira o depoimento de Manuel Braga, da Sociedade das Silveiras e Coudelaria Manuel Braga, no âmbito do desafio lançado por Bruno Caseirão com o tema "Cavalo Lusitano: o que preservar, modificar e inovar?".


Tempo de Leitura: 4 Min

Manuel Braga (C) RITA FERNANDES

(c) Rita Fernandes 

«Preservar a cabeça (carácter), a arte e a coragem, o tipo e as características originais de funcionalidade da nossa raça, como a capacidade de reunião, o agradar (ir com), estar a favor do cavaleiro. Isto consegue-se – não deixando de pensar no futuro – conservando algumas linhas genéticas tradicionais. 

Modificar, na transição do preservar para o modificar, tentando criar um cavalo o mais atleta possível, com melhores membros e andamentos com força e elasticidade, dimensão sobre todos os aspectos (tamanho, garupa, espádua, ângulos, massa muscular, etc.), como procura fazer todo o criador esclarecido de qualquer raça de desporto mundial, mas sem nunca descurar o padrão e montabilidade da raça Lusitana. Um cavalo que continue a ser “simpático” quando se lhe pede ou se lhe exige mais trabalho a sério, com um maior grau de dificuldade e treino constante. Processo este que, aliás, já está em curso com vários criadores. 

Inovar, fazendo de um efectivo com o número muito pequeno, quando comparado com outras raças de desporto, servindo-nos de todas as técnicas mais evoluídas, na reprodução, alimentação, cuidados veterinários, métodos de treino e selecção, um Lusitano moderno de desporto que se adapte o mais possível à disciplina de dressage que já tanto valoriza e ainda mais vai valorizar o nosso cavalo. Já conseguimos resultados bastante consideráveis num curto espaço de tempo, mas ainda há um longo caminho a percorrer. 

Não posso deixar de referir o Toureio (base de selecção da nossa raça) que atravessa momentos difíceis, a Equitação Clássica (também base de selecção) e a Equitação de Trabalho, modalidades em que o Lusitano já é o melhor, que abrangem uma vasta faixa de mercado (que não tem o mesmo retorno, mas também não envolve o mesmo investimento em termos de treino e promoção que a Dressage) e onde o conceito Preservar, Modificar e Inovar se encaixa perfeitamente uma vez que a nossa raça evoluiu imenso, hoje em dia produzem-se muito mais e melhores cavalos que antigamente, mas a busca da perfeição não tem limites...

Tudo isto tem que ser apoiado por uma A.P.S.L. bem estruturada que una os criadores e promova e divulgue a nossa Raça em todo o Mundo, aquela que pela sua polivalência, mais pode servir a todo o tipo de cavaleiro, nas mais diversas disciplinas e em todo o universo da equitação.»

Manuel Braga

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