Criação. 23 NOV 2020

«Preservar,modificar e inovar são e foram a imagem da evolução do PSL»

Confira o depoimento de Francisco Beja, Diretor do Departamento de Coudelarias da Companhia das Lezírias, no âmbito do desafio lançado por Bruno Caseirão com o tema "Cavalo Lusitano: o que preservar, modificar e inovar?".


Tempo de Leitura: 3 Min

Francisco Beja by Rita Fernandes

(c) Rita Fernandes 

«O tema é complexo e pode ser extenso, mas se o focarmos nas três palavras preservar, modificar e inovar podemos chegar a um rápido e conciso consenso. Hoje, essas palavras são e foram a imagem da evolução do Puro Sangue Lusitano!

O cavalo versátil, ágil, sofredor, de bom temperamento e fino que foi capaz de se adaptar ao longo dos séculos e que chegou aos nossos dias, é o que mais temos de preservar.

É importante perceber que hoje a Raça enfrenta desafios embora diferentes de outrora, igualmente difíceis. Não vale a pena fugir à ideia de que após a revolução industrial o cavalo se tornou um acessório e mais tarde símbolo de desporto e elite. A expansão de determinadas raças centro-norte europeias em determinadas modalidades, são avassaladoras. Obrigam-nos a ser mais exigentes, mas acima de tudo mais assertivos e focados.

Podemos pensar, porquê comparações? ..., mas se não valer a pena as comparações para quê evoluir e inovar? Afinal, onde muitos queriam chegar, ou estar, é fácil! Da mesma maneira que o utilizador evolui enquanto praticante o cavalo tem de continuar a evoluir enquanto performance. Existe mercado para os que querem estar alinhados com a máxima performance ou os que querem estar alinhados com a mínima performance e isso deve-se preservar. Hoje o mercado é mais exigente, e pôs muitos criadores/vendedores a pensar em aspectos como veterinária, ferração, osteopatia, quiroprática, mas principalmente em bem-estar animal e isso obrigou-os a modificar a maneira como viam, sentiam e decidiam as coisas.

O ser exigente é próprio de quem tem de ter princípios e deve modificar! Deve compreender o que o rodeia, e actualizar-se mediante os seus recursos, para inovar a maneira como reage às exigências de bem-estar animal, ao cliente e principalmente ao nível de performance que pretende que os seus cavalos alcancem.

Quando uma Raça com menos de 5.000 éguas (activas) consegue estar presente em praticamente todas as fases finais de JO, Campeonatos do Mundo e Campeonatos da Europa de uma modalidade desde 1992, quando comparada com outras raças e números, só podemos estar orgulhosos no passado, (preservar) atentos ao presente (modificar) e ambiciosos quanto ao futuro (inovar).»

Francisco Beja

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