Revista Equitação. 13 NOV 2020

«Devemos preservar o que é único na raça»

Confira o depoimento de Maria do Mar Oom, Prof. Aposentada do Dep. de Biologia Animal, Investigadora do cE3C da Fac. de Ciências da Univ. de Lisboa,e ex-membro do Cons. Técnico da APSL, no âmbito do desafio lançado por Bruno Caseirão com o tema "Cavalo Lusitano: o que preservar,modificar e inovar?".


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MariadoMarOom

«Parece-me indiscutível que o cavalo Puro Sangue Lusitano está num crescente de visibilidade, pese embora as dificuldades que estão ao viver-se no mundo inteiro e que afectam, necessariamente, a criação cavalar. Muita desta visibilidade deve-se ao trabalho que tem vindo a ser feito na aposta e na afirmação da raça em algumas disciplinas equestres, nomeadamente no Ensino e na Equitação de Trabalho.

Devemos preservar o que é único na raça, as características que a individualizam das outras, e que é o resultado de uma selecção secular do cavalo de sela ibérico, cuja base genética substanciou a criação do Livro Genealógico e que conduziu ao efetivo atual.

Apesar de ser uma população relativamente pequena e de ter um Livro Genealógico fechado, a variabilidade genética da raça foi fundamental neste processo, pois sem ela não poderia haver a tão grande versatilidade do cavalo Lusitano nem a possibilidade de melhoramento de características desejáveis, por selecção. Parece-me fundamental preservar as diferentes linhas da raça, com particular atenção para algumas, já quase a desaparecer, e que tão fundamentais foram no que o cavalo Lusitano é hoje, salvaguardando a possibilidade de se tirar o máximo partido de toda a riqueza genética existente. Sem variabilidade, associada a qualidade, a selecção não pode resultar em evolução, ou seja, em melhoramento.

O Padrão da Raça, sendo o suporte da identidade da mesma, define um cavalo equilibrado e funcional, com grande facilidade em exercícios de concentração, e deve sempre nortear a selecção dos animais, ainda que possa ser mais objetivo em algumas das suas definições.

Penso que muito do que se tem vindo a modificar na criação do cavalo Lusitano, para além da evidente melhoria no maneio, se centra no sistema de avaliação dos animais, nos critérios de aprovação dos reprodutores. A objetividade deve manter-se uma preocupação constante, tanto na definição dos critérios como nos julgamentos. Deverá ser sempre uma preocupação a melhorar, pensando na raça globalmente, na sua polivalência e nas suas especificidades.

Seria uma utopia conseguir expandir uma rede de “olheiros” para que cavalos com potencial (genético e/ou funcional) não se percam por não se mostrarem?

Existem hoje novas e promissoras ferramentas genéticas e de análise ao dispor da zootecnia, que poderão ajudar os criadores a orientar a sua criação face aos objectivos definidos, inovando-se em alguns métodos de selecção. Uma criteriosa e continuada recolha de informação é fundamental para que possam vir a ser utilizadas, bem como a estreita ligação com instituições de investigação.»

Maria do Mar Oom

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