Saltos. 28 MAI 2021

Miguel Faria Leal: Um Homem de Cavalos

De regresso a Portugal, país que diz “adorar”, a EQUITAÇÃO aproveitou a oportunidade para conversar com o cavaleiro, treinador, criador, comerciante de cavalos, aficionado… Em suma, com um verdadeiro cavalheiro e homem de cavalos em toda a sua essência.


Tempo de Leitura: 27 min

Aos 60 anos, Miguel Faria Leal – como é conhecido no meio hípico, mas que se chama António (ver caixa no final do artigo) – é um cavaleiro cujo nome está desde há muitos anos inscrito na história equestre portuguesa. Olímpico em 1996 nos jogos de Atlanta (EUA), conta no seu currículo com duas presenças nos Jogos Equestres Mundiais (Haia 1994 e Roma 1998). Competiu nos Campeonatos da Europa de Gijón (Espanha) em 1993, St. Gallen (Suiça) em 1995, Hickstead (GBR) em 1999 e Arnhem (PB) em 2001 e integrou a equipa nacional em 20 Taças das Nações, entre elas a que ganhou o CSIO de Lisboa em 1994, concurso onde foi por seis vezes eleito o Melhor Cavaleiro Português. A estes feitos, junta-se um palmarés recheado de classificações e vitórias, impossíveis de enumerar na totalidade. Estabelecido em França, onde mantém o MFL Sarl, afirma que não saiu de Portugal com o objectivo de aí se fixar, mas para “fazer os mínimos para os Jogos Olímpicos (JO) em 1991 e já lá estou há 30 anos”.

Miguel perdeu a conta a quantos alunos já lhe “passaram pelas mãos”, nem se lembra do nome de muitos deles, mas recorda bem os seus primeiros professores. Oriundo de uma família sem tradições equestres, começou a montar cedo “com o Sr. Dias, que tinha um picadeiro em Caxias, e que me levava. Tenho fotografias a montar uns garranos com apenas dois anos.” Embora a vida o tenha guiado no caminho dos Saltos de Obstáculos, o cavaleiro “gostava mesmo daquilo que hoje se chama de Equitação de Trabalho. Preferia montar com uma sela à portuguesa, porque os arreios eram para os ingleses!”, recorda bem disposto.

miguel faria lealFilho de militar, seguiu-o nas comissões no antigo Ultramar. “Vivi dois anos em Angola e cinco em Moçambique de 1968 a 1973 e foi nessa altura, já mais crescido, que num Centro Hípico que lá havia, por onde passou o Coronel Jorge Mathias, que comecei a dar uns saltos com o Sr. Luís Correia.” No regresso a Portugal, e depois de uma curta passagem pela Academia Militar, acabou a estudar Economia no Instituto Superior de Economia, mas sempre com a presença dos cavalos na sua vida. Trabalhou para Frederico Cunha e Emídio Pinto “a montar poldros, mas mais na vertente do toureio a cavalo” e, depois, em Sintra, na casa de Michelle Wittenburg, “uma senhora que tinha uma criação de cavalos de sangue com um garanhão alemão e umas éguas Caldeira”. Também aí estava encarregue do ensino dos poldros, começou a saltar com eles e dá-se então a sua estreia em competição.

“Levei os seus cavalos aos Critérios e até ganhei o de 4 anos com a Askam. Lembro-me perfeitamente de estar com a égua no concurso e de as pessoas não me conhecerem. A égua estava muito bem posta, bridão simples, pouca à perna, sem gamarra… Recebi muitos elogios pela apresentação do animal”.

Estes elogios, na vida do jovem cavaleiro, viriam a multiplicar-se ao longo dos anos. Quem o viu competir, não esquecerá a forma como se apresentava enquanto conjunto. Talvez por influência militar do pai, era impensável entrar em pista com botas sujas e a sua figura a cavalo – uma verdadeira estampa! - valeram-lhe, mais tarde, diversos prémios em concursos de elegância em eventos como o Salão do Cavalo de Paris ou em La Baule. “Olhando para trás e sem grandes pretensões, posso dizer que andava sempre impecável, assim como os meus cavalos, isso talvez tenha ajudado a ter alguns proprietários a entregarem-me os animais. Mas espero que tenha sido mais pela qualidade da equitação do que o andar bonitinho! (risos) As duas coisas ajudaram.”

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Embora afirme que nunca tomou a decisão de ser cavaleiro profissional, “sempre deixei as coisas acontecerem e aproveitei as oportunidades”, o facto de montar em vários locais, deslocando-se de mota, “o que começava a ser impraticável”, levou a que tomasse a decisão de alugar várias boxes na Quinta da Marinha. “Disse para mim: «quem quiser que eu monte os cavalos tem de vir cá!». Foi assim que comecei a minha própria organização. Cheguei a ter cerca de 30 cavalos e três ou quatro tratadores. A minha vida sempre foi: se tinha 10, comprava 20. A necessidade aguça o engenho e logo se havia de resolver… Tive muitos dissabores, porque às vezes tinha mais olhos do que barriga, mas fui sempre de visar mais alto, visar mais alto, visar mais alto…. A coisa foi andando e o que é certo é que, se não fosse assim, se calhar, ainda hoje era o tratador da Michelle Wittenburg”, comenta Miguel.

 

MFL - caixa 1

 

MARCOS EQUESTRES
Depois de um estágio com Bertalan de Némethy nos finais dos anos 90 – que acabou numa visita ao Hospital de Cascais devido a uma queda mas - “que foi um marco importante na minha vida e na minha equitação porque adorei o método e sempre o segui”, em 1991 a Federação Equestre Portuguesa “organizou uma quarentena em França para os cavaleiros por tugueses, com vista à participação nos JO de Barcelona. Ia tentar-se a qualificação e, embora não estivesse nos quatro da equipa [Jorge Mathias, Francisco Geraldes, Bernardo Moniz da Maia e Luís Xavier de Brito], eu e o Luís Sabino Gonçalves tivemos oportunidade de ir também. Acabei por fazer concursos em França e Itália e no final da época só eu com a Verlander Ker Alouan e o Jorge Mathias com o Windus é que conseguimos os mínimos”. Verlander acabou por se lesionar, o que afastou Miguel destas olimpíadas, e é aqui que o cavaleiro decide prolongar a estadia em terras gaulesas, com vista à preparação para o Campeonato da Europa do ano seguinte.

“Comecei a receber vários cavalos de proprietários, entre eles do senhor Geraldes, um português que era etalionier, com muitos cavalos a cobrir em França. Dono do Jalisco, foi ele que me entregou o Surcouf de Revel e achou que era melhor eu não regressar a Portugal e continuar a fazer concursos em França, para ser visto com o garanhão. E fui ficando, até hoje”, esclarece.

A cada vez maior procura dos seus serviços como cavaleiro levou a que se estabelecesse por conta própria em Crèvecoeur, na Alta Normandia, a 90km de Paris. “Encontrei umas instalações de aluguer que até hoje mantenho, tal como a mesma conta bancária e o mesmo número de telefone”, ironiza. Se a presença nos JO de 92 ficou adiada, nos de 96 em Atlanta, foi uma realidade. Juntamente com António Vozone, foram os dois portugueses presentes. Infelizmente, as coisas não correram como desejava. “Recordo-me bem da prova da Taça das Nações em que entrei em pista e caiu uma carga de água tão grande que tiveram de evacuar o público durante o meu percurso. Fiz pontos que nunca mais acabavam, nem sei se contaram a vala de água…! Claro que isso deitou abaixo qualquer chance de participação bonita, nessa prova, embora tivesse um cavalo capaz de fazer bem os JO e me sentisse capaz de o executar. Tive propostas de trabalho, de compra do cavalo… O resultado não foi bom mas a base estava feita e toda lá.” 

Miguel Faria Leal com Surcouf de Revel nos JO de Atlanta em 1996

Miguel Faria Leal com Surcouf de Revel nos JO de Atlanta em 1996

 

Numa viagem “cheia de aventuras…”, Miguel considera que a presença olímpica “não foi o auge da carreira, foi sim a participação mais mediática.” Sem tantos holofotes, o cavaleiro recorda com saudade provas como “Aachen (Alemanha), em que consegui um 2.º lugar no Derby. Foi um momento forte! Adorava fazer derbys, 6 barras, esse tipo de provas.” Mas há um concurso que é impossível esquecer: “Ganhar a Taça das Nações de Lisboa, que Portugal já não vencia há 25 anos e depois só voltou a ser conquistada passados outros 25 anos, foi um momento importante.”

Em 1994, Miguel Faria Leal fez dupla com Surcouf de Revel, numa equipa que incluiu também Alexandre Mascarenhas de Lemos/Gina, António Vozone/Honig e Manuel Lima Garcia/Athletico 2.

FOTO 02 - Taça das Nações 1994

Taça das Nações 1994 (c) Aurélio Grilo


Inesquecíveis foram igualmente “cada vez que ganhava o prémio de Melhor Cavaleiro Português no CSIO de Lisboa”, o que aconteceu por seis vezes na sua carreira. “Senti sempre mais pressão em Lisboa do que em qualquer outra prova. Sempre gostei de voltar à minha terra, comer em Portugal, sentir o calor português e fazer o concurso de Lisboa. Era talvez onde eu me sentisse mais nervoso até entrar em pista, que depois de entrarmos esquecemos tudo. Mas fazer a Taça das Nações em minha casa era delicioso.”

No seu currículo, fica apenas a faltar o título de Campeão Nacional, embora conte com duas medalhas: prata em 1992 e bronze em 1994. “Só se pode ganhar se se participar. Disputei apenas dois Campeonatos de Portugal e consegui medalhas. Vim propositadamente em 1992, com vontade de ganhar. Preparei tudo, gastei imenso dinheiro e tempo, mas a competição acabou por ser entre mim e o Jorge Mathias. Tínhamos dois cavalos que estavam distanciados do resto dos cavaleiros e uma experiência internacional que os outros não tinham. Acho que foi um Campeonato lamentável porque meteram as provas completamente direccionadas para nós e os outros não conseguiram chegar lá. Acabei por ficar de tal maneira desiludido com a forma como se montou esse campeonato que nunca mais o disputei com a intenção de o ganhar. Voltei a participar em ‘96, mas porque já estava previsto fazer vários concursos por cá. E foi assim que nunca fui Campeão de Portugal”, conta.

Quanto a cavalos que o marcaram, Miguel sabe que “toda a gente me associa com o Surcouf. Foi um cavalo que me proporcionou ir a muitos concursos, incluindo os JO. Era um cavalo excepcional, com um passado, sem muita experiência, com problemas físicos, mas que eu soube entender e recuperei. Andou comigo dos 9 aos 19 anos, fez nove CSIO de La Baule, todas as Taças das Nações, Grandes Prémios, enfim, foi o que mais me marcou. Mas outros houve que ganharam mais do que o Surcouf, como a Umoa Du Murier, a Verlander, a Sarah d’Avril… Ele era um primeiro cavalo, que permitia estar sempre presente. Era um cavalo à séria.”

 

MFL - caixa 2

 

UMA REVIRAVOLTA INESPERADA
Em 2007 Miguel Faria Leal sofreu um acidente quando treinava em casa um poldro de 6 anos, que acabou por o deixar fora de competição durante quase dois anos. “Foram mais as consequências da fractura do que propriamente da queda. Parti a perna mas tive complicações graves que quase me levaram a perdê-la. Uma coisa é estar dois meses a recuperar de uma perna partida, agora estar dois anos sem poder montar quando a minha vida era essa, fez com que tudo se tenha complicado.” O acidente acabou por afectar não só a sua carreira desportiva, como profissional. Com uma estrutura em casa com 40 cavalos, estar parado foi sinónimo de perder negócio, “tive de encontrar soluções, que passaram por entregar os animais a outros cavaleiros, para que dessem continuidade ao trabalho. Na altura tinha a Ouverture em Dinard, com 8 anos a saltar Grande Prémio, que deve ter sido um dos meus melhores cavalos. Hoje tenho filhos dela. Essa égua devia ter seguido, nas semanas seguintes, para o Campeonato da Europa, em Inglaterra...”

É com voz embargada que Miguel recorda este momento da sua vida, que coincidiu com outro de grande alegria, o nascimento da sua segunda filha. “Com a saída de muitos animais lá de casa, comecei a comprar cavalos novos, para estarem prontos quando eu voltasse a montar. Se calhar não o devia ter feito porque deixei de ganhar e continuei com a mesma despesa! Como referi, sempre foi «tens 10, gastas 20 e a necessidade aguça o engenho»… Quando recomecei a montar ainda fiz meia dúzia de provas, mas as coisas já não foram as mesmas e as despesas continuavam. Houve ali uma mudança que me tirou a motivação.”

Aquilo que parecia mais uma queda, como tantas outras que deu no passado, teve assim consequências graves na vida do profissional, que acabou por ter de se reinventar: “transformei-me um pouco em coach, continuei a tentar meter as minhas duas filhas num bom nível, a comprar e vender cavalos...”

Ana Faria Leal é profissional e trabalha na MFL Sarl. Com Lua, de 14 anos, são as duas filhas de Miguel que prometem dar continuidade ao trabalho do pai, que não esconde o imenso orgulho de elas partilharem a mesma paixão equestre. 

Em França, Miguel tem em permanência, em média, 40 animais, dando aulas e estágios. Com um currículo e experiência profissional tão vastos, quisemos saber o que mais prazer lhe dá: competir, trabalhar cavalos ou ensinar alunos. A resposta não se fez esperar: “Depende do cavalo e depende do aluno. (risos) Prefiro um aluno empenhado em prol de um que tenha muito jeito. Sem trabalho e sem respeito pelo cavalo, não se chega a lado nenhum. Tenho tanto prazer em ver um aluno meu em pista como um cavalo da casa. Existe é mais pressão como professor ou proprietário, do que aquela que sente um cavaleiro, que só tem de se concentrar nos saltos que tem por diante”, confessa.

Miguel com a filha Ana

Miguel com a filha Ana

CAIXA 3 - Lua em preparação para o concurso de Lisboa

A filha mais nova de Miguel, Lua, em preparação para CSN de Lisboa, em Abril

 

OS NOVOS TEMPOS
Com provas de obstáculos cada vez mais exigentes, cavalos e cavaleiros têm de acompanhar a evolução e não podem marcar passo. Um bom treino é indispensável, para que o conjunto possa singrar. Interrogado se considera que o treino do cavalo de saltos tem vindo a mudar de forma a acompanhar a tecnicidade das provas, Miguel é peremptório “a base é sempre a mesma: o cavalo tem de estar bem posto. Depois o treino tem de ser adaptado ao que vamos pedir em pista.” Contudo, “mais do que construir um cavalo, é importante não os destruir. O treino é que vai dizer que cavalo vamos ter, e há muita gente que não entende isto e acaba por estragar os cavalos.” Na sua opinião, “todos os cavalos têm de saber fazer um percurso. Se não souberem fazer um percurso a 1m, também não vão
fazer a 1.30m. Eu prefiro um cavalo que salte 1m bem do que 1.20m aflito. Só podemos pedir aquilo que os cavalos estão prontos para nos dar. Ninguém pode esperar que um cavalo chegue e salte de forma exemplar de um dia para o outro. Tem de existir todo um trabalho para que a perfeição possa ser uma realidade. Sem trabalho é muito difícil chegar-se ao mais alto nível.”

Quanto a características que um cavalo de saltos não pode deixar de ter, Miguel não tem dúvidas que este “tem de ser bom em tudo. Tem de ter força (porque há oxers largos, saídas de combinações largas), tem de ser rápido (pois pontos por excesso de tempo afastam-nos logo) e ser limpo. Antigamente privilegiava-se a força, saltos muito grandes, hoje é mais a velocidade e a elasticidade. Claro que a equitação evoluiu muito nestes 30/40 anos que levo neste desporto, mas isto não aconteceu do dia para a noite.”

E será que se pode evoluir mais? “ Se o nível de cavaleiros evoluir, as provas têm mesmo de evoluir. Se acontecer o contrário, então temos de baixar um bocadinho as varas. A evolução da equitação e dos percursos tem de estar ligada à equitação dos cavaleiros. Esta coisa de fazer 30 pontos já passou de moda. Na selecção dos cavalos, aí sim existiu uma evolução gigante. Hoje em dia quase que não há cavalos maus, pode haver bons ou menos bons, mas cavalos maus, como havia, não.”

Miguel defende que “não se pode comparar épocas” pois “os cavaleiros não tiveram os mesmos meios, nem os mesmos cavalos. Cada um tem de ser bom no seu momento.” E explica porquê: “Eu para ver um percurso em Olympia, há 30 anos, tinha de ter o canal Eurosport, que não era toda a gente que tinha, ou então tinha de comprar uma videocassete. Hoje qualquer pessoa agarra no telemóvel e vê um percurso em directo, como os grandes cavaleiros montaram, como aqueceram, em que saltos aqueceram… Eu tive de fazer não sei quantos mil quilómetros para ver o John Whitaker a saltar com o Milton. Hoje em dia, qualquer miúdo tem acesso a tudo em minutos, nas redes sociais e em streamings em directo…” 

Também por esta facilidade no acesso à informação, os cavaleiros actualmente já não precisam de emigrar para poder competir ao mais alto nível. “Há 30 anos era difícil estar estabelecido em Portugal e estar no top mundial. Posso quase dizer que era impossível porque, se hoje levar um cavalo de Lisboa a Paris é uma formalidade, na minha altura, andávamos em camiões e estradas bem diferentes, para passar fronteiras, chegávamos a estar parados dias, uma viagem durava semanas. Hoje um cavaleiro com um camião decente pode estar em qualquer lado em pouco tempo e o cavalo chega em boa forma.” Para além de que, na opinião do nosso entrevistado, “temos competições em Portugal de muito bom nível. Vilamoura é um circuito que prepara para qualquer outro concurso. Lisboa, Vimeiro, Esposende... Mesmo estes concursos mais pequenos são de grande qualidade.” A provar a sua teoria, Miguel dá o exemplo de António Matos Almeida, “que sempre esteve em Portugal, chega ao Campeonato da Europa e faz o que faz. Não foi uma vez por acaso, foram duas. Chegou, foi à Final e, cereja no topo do bolo, ainda vendeu o cavalo. Hoje em dia já se pode fazer tudo vivendo em Portugal. Claro que é mais simples estando no centro da Europa, e por isso, neste momento, temos uma boa dúzia de portugueses com nível, que aí estão instalados”.

Com alunos e amigos

Miguel com alunos e amigos

 

A TRANQUILIDADE DOS CAVALOS
Também criador, Miguel passou mais de metade da vida na sela do nobre animal. “O cavalo transmite-me tranquilidade, desafio e se não desfrutarmos daquilo que é o montar a cavalo, então está tudo mal.” Miguel acredita que a equitação “está cada vez mais a puxar pelas pessoas que desfrutam dos cavalos. Se tiveram um bocadinho de jeito melhor e se tiverem um bom cavalo muito melhor ainda. Este tem de ser o futuro da equitação. Estrutura, propriedade e qualidade, ambição e trabalho”.

Embora assuma que, ao longo da vida, recusou “ofertas que não podia recusar e ainda hoje pago as consequências”, diz não se arrepender das opções que tomou e não tem dúvidas quanto à qualidade da sua monte. “Costumo dizer que, como cavaleiro de obstáculos, acho que fui bom para o nível em que estava. Agora, a montar a cavalo não tenho dúvidas de que montava mesmo muito bem. Ainda hoje ao analisar os nossos cavaleiros, que são muito bons, posso incluir-me no seu lote, com muitos dos quais me orgulho de trocar ideias”, refere Miguel.

Cavaleiro de monte clássica, estilista, que tantos influenciou e ajudou a melhorar, diz que gostava de ser recordado pelas gerações futuras “como um homem dos cavalos, como um português que desbastou e fez cavalos desde os três aos 19 anos, que criou cavalos com muita qualidade. Conquistei vários prémios e acho que tenho uma carreira como um bom cavaleiro português de que eu e os meus se podem orgulhar.”

 

MFL - caixa 3

Autor:

Ana Filipe

anafilipe@invesporte.pt

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