Dressage. 05 MAI 2021

PASSAGENS DE MÃO (NO AR)

Neste artigo abordamos um exercício que é geralmente apreciado pelos cavaleiros e pelo público: as passagens de mão a galope.


Tempo de Leitura: 6 min

Apesar da “espectacularidade” deste exercício a Federação Equestre Internacional (FEI) não lhe atribuí um coefi ciente de dificuldade e o Regulamento de Dressage apenas lhe dedica dois pequenos parágrafos na parte da destinada à definição do galope!

Embora, à primeira vista, isto possa parecer estranho, espero que ao longo deste artigo seja possível perceber o porquê deste enquadramento.


DEFINIÇÃO
Durante a fase de suspensão do galope o cavalo avança simultaneamente os membros posterior e anterior do mesmo lado, mudando a mecânica de galope que tinha até então (ou seja, se estava a galopar para a esquerda fica a galopar para a direita ou vice-versa). Assim, a passagem de mão a galope é executada durante a fase de suspensão, seguindo-se depois os três tempos do galope.

As passagens de mão podem ser isoladas ou aproximadas: a quatro, três, dois tempos ou a tempo (tal signifi ca que o cavalo muda a mecânica do galope a cada quatro, três, duas ou uma passada).


OBJECTIVO
Mostrar um cavalo atento, obediente e rápido na reacção às ajudas do cavaleiro sem, contudo, perder o ritmo, equilíbrio, calma, rectitude, impulsão e fluência/ligeireza.

Quando avaliamos as passagens de mão focamo-nos na:
1. Manutenção do ritmo e do tempo durante todo o exercício,
2. Qualidade do galope antes, durante e após a(s) passagem(ns) de mão,
3. Fluência do movimento,
4. Equílibrio (uphill tendency),
5. Impulsão,
6. Rectitude,
7. E precisão, no que respeita à letra onde devem ser executadas ou o número de passagens de mão no caso das passagens de mão aproximadas. Importa referir que, apesar dos protocolos das provas referirem que estas devem ser executadas a galope concentrado, o grau de concentração a solicitar ao cavalo não deverá levar ao encurtamento da passada, ou seja, há que encontrar a combinação certa entre o equilíbrio vertical e a amplitude da passada, o que nem sempre é fácil.


ERROS FREQUENTES
Os erros mais frequentes são:
1. Perda de equilíbrio na preparação,
2. Perda da trajectória (fora da linha diagonal ou chega antes ou depois da letra),
3. Alteração do tempo do galope (redução do tempo do galope [mais lento] ou quando avançam excessivamente [quase galope médio]),
4. Incorrecta distribuição (o número de passagens de mão antes e depois de X não é igual),
5. Falta de descrição das ajudas do cavaleiro com prejuízo para a impressão geral (rodar ou abanar o tronco, excessivo movimento das pernas, mãos instáveis).


DICAS
1. Simplificação “mental” do exercício
Por vezes verificamos alguma ansiedade ou excesso de ajudas da parte do cavaleiro na execução deste exercício. Entendo que mentalmente é importante tentar simplificá-lo – é tão só um pedido de uma transição ao galope, mas feito com o cavalo já a galope – vamos a galopar para a esquerda e no momento da suspensão mudamos as ajudas solicitando o galope para a direita. Bem sei que é mais simples escrever do que fazer, mas acho importante tentar retirar alguma complexidade que sinto que os cavaleiros mais jovens ou menos experientes tendem a dar a este exercício.

2. Antecipação visual e descrição das ajudas
Olhar para a letra onde devem chegar ajudar-vos-á a manter a trajectória e a rectitude do cavalo (olhar para as mãos do cavalo não ajuda!).
Tenham presente que durante o tempo de suspensão o cavalo tem de mudar a mecânica do galope, por isso quaisquer movimentos bruscos, mudança de posição do tronco do cavaleiro, etc. prejudicará o equilíbrio do cavalo. 

3. Manutenção do tempo do galope
Há cavaleiros que optam por reduzir o tempo do galope antes de iniciar as passagens de mão aproximadas, outros “lançam” os cavalos como se de um galope médio se tratasse. Bem sei que existem diferentes estratégias ou necessidades que levam a estas opções, contudo, é importante ter presente que para obter notas mais elevadas o cavalo deve manter absoluta regularidade (tempo) a todo o momento (antes, durante e depois das passagens de mão), pois o mérito deste exercício reside numa execução fluída e equilibrada. Na verdade trata-se tão só de solicitar “uma transição ao galope".

 

Nota: Esta análise é feita à luz do Regulamento da Federação Equestre Internacional (FEI), tendo por objectivo ajudar os praticantes de Dressage a “conservar” pontos que estão essencialmente relacionados com a execução do exercício e não apenas com a qualidade do cavalo.

 

 

Artigo publicado in Revista Equitação n.º 145 , Setembro/Outubro de 2020

 

Veja também:

- Como entrar em pista e causar boa impressão

- O trote médio/largo

- A espádua a dentro

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- O recuar

- A passage

O Piaffer

Transições

- O passo: largo e concentrado

Autor:

Frederico Pinteus

equitacao@invesporte.pt

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