Corridas. 19 FEV 2021

Curiosidades sobre o Grand National

A história desta magnífica corrida tem várias curiosidades dignas de relevo e este artigo vai dar-lhe conta de algumas das mais marcantes, bem como recordar outras marcas importantes e recordes obtidos desde 1839 até aos nossos dias.


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O primeiro Grand National oficialmente disputado teve lugar no já longínquo ano de 1839 e foi ganho por um cavalo chamado Lottery. No entanto, algumas teorias existem que contestam esta data como o primeiro Grand National disputado, pois há registos de, pelo menos, outras três corridas realizadas entre 1836 e 1838, denominadas Great Liverpool Steeplechase. No passado, pensava-se que essas corridas haviam sido feitas num hipódromo nas proximidades de Maghull, mas pesquisas recentes sugerem que elas, de facto, tiveram lugar em Aintree (Liverpool). Existiram algumas tentativas para que esses resultados fossem integrados nos registos oficiais do Grand National, mas a verdade é que para todos os efeitos e oficialmente, a corrida de 1839 continua como sendo a primeira.

A história desta magnífica corrida tem várias curiosidades importantes e dignas de relevo, como por exemplo, a que sucedeu em 1843, data em que se disputou a primeira corrida com handicap, que veio permitir o nivelamento do peso dos jockeys, conferindo dessa forma uma maior equidade na competição. Em 1851, um pequeno mas muito veloz cavalo irlandês Abd-El-Kader, que no ano anterior nem tinha sido considerado pelas casas de apostas surpreendeu o mundo ao alcançar a vitória pela segunda vez consecutiva. Em 1853, o cavalo de seu nome Peter Simple também ganhou seu segundo Grand National tinha então 15 anos de idade. Tinha vencido a corrida pela primeira vez em 1849 e permanece até aos nossos dias como o mais velho vencedor da corrida. Emblem (1863) e Emblematic (1864) eram irmãs plenas e foram vencedoras em anos consecutivos. Por último, o Lamb que tem como principal curiosidade de ter sido o primeiro cavalo ruço a vencer a corrida (1868).

O século XIX chegou ao fim com a segunda vitória de Manifesto, um dos mais bem sucedidos cavalos de todos os tempos a competir no Grand National e que em muito contribuiu para restaurar o prestígio e a popularidade do evento dado que a sua imagem havia sido em anos anteriores gravemente prejudicada devido a vários casos de corrupção. Manifesto competiu por oito vezes entre 1895 e 1904, ganhou por duas vezes, foi 3.º em três ocasiões e foi 4.º por uma vez.

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Novo Século, novas histórias

O novo século começou com um vencedor oriundo das cavalariças reais, Ambush II era propriedade do Príncipe de Gales (que mais tarde viria a ser coroado como Rei Eduardo VII), levando a melhor frente a Barsac e a Manifesto, dois dos cavalos mais consagrados presentes em pista.

Na década seguinte em 1911, Glenside, um cavalo só com um olho venceria a corrida antes do início da Primeira Guerra Mundial eclodir e a corrida ser transferida para o hipódromo de Gatwick entre 1916 e 1918. Embora o percurso tenha sido construído e mantido exactamente com as mesmas distâncias e dificuldades, essas três corridas nunca foram consideradas como sendo Grand Nationals e, como tal, estão excluídos os resultados e alguns dos recordes obtidos.

Essas corridas foram baptizadas de The Racecourse Association Steeplechase e War National Steeplechase.

Em 1918, a corrida foi ganha por Poethlyn, montado por Ernie Piggott, avô do lendário Lester Piggott que contou com cerca de 4500 vitórias na sua carreira sendo considerado um dos maiores jockeys de todos os tempos. A dupla repetiria o feito em 1919, já em Aintree (Liverpool), quando Poethlyn era apresentado nas casas de apostas bet-grand-national.co.uk com poucas probabilidades de vencer (11/4) – facto que acabou por contrariar e ao entrar na história exactamente por esse motivo vencendo o Grand National.

A década de 20 veria consagrados dois vencedores em anos consecutivos, 1928 e 1929. Em 1928, a corrida teve a particularidade de se disputar debaixo de um forte nevoeiro e motivou diversas quedas aparatosas, apenas 2 dos 42 jockeys lograram chegar ao final da prova. Tipperary Tim foi o único cavalo a terminar a corrida sem quaisquer incidentes, juntamente com o jockey de Billy Barton que embora tenha caído, conseguiu voltar a subir para o dorso do cavalo para se tornar no outro finalista. A vitória de Gregalach’s em 1929 detém o recorde por ter sido a corrida com o maior número de conjuntos alinhados à partida, (66), mas apenas 10 completaram o percurso.

Golden Miller, considerado por muitos dos especialistas como o maior cavalo de steeplechase de todos os tempos, fez história nos anos 30, tendo completado nada menos do que cinco vitórias na Gold Cup de Cheltenham e ainda uma outra em 1934 no Grand National. Para além destes feitos, conta ainda no seu palmarés com o registo de único cavalo a ganhar a Cheltenham Gold Cup e o Grand National no mesmo ano.

Nos anos 30, Reynoldstown foi o primeiro vencedor consecutivo da corrida desde Poethlyn, vencendo em 1935 e 1936. Battleship tornou-se no segundo cavalo americano (depois de Sergeant Murphy, em 1923) a vencer a corrida em 1938. Filho do famoso Man o'War, também ele é o único cavalo a ter vencido o Grand National e o American Grand National. Entretanto, o seu jockey, Bruce Hobbs, tornou-se no mais jovem a vencer a corrida, aos 17 anos.

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A Segunda Guerra Mundial

O Grand National na década de 40 foi marcado, essencialmente, pela interrupção das corridas entre 1940 e 1945 devido à Segunda Guerra Mundial, com o hipódromo de Aintree a ser ocupado pelos militares.

A década de 50 testemunhou um notável feito do treinador irlandês, Vincent O' Brien que treinou três dos cavalos vencedores em anos consecutivos: Early Mist (1953), Royal Tan (1954) e Quare Times (1955). O Grand National de 1956 presenciava um dos momentos mais marcantes da história da corrida com Devon Loch, propriedade da Rainha Elizabeth, a Rainha Mãe. Este cavalo era montado pelo futuro romancista Dick Francis e a história narra-se através uma situação caricata sucedida em pela prova, com a dupla a poucos metros de uma vitória estrondosa e aparentemente certa quando o cavalo, de repente e sem motivo aparente, pulou, e em seguida, caiu de barriga, não completando a prova e perdendo a corrida para E.S.B.. Nickel Coin (1951) figura nos compêndios com a última égua a vencer a corrida.

Em 1961, Nicolaus Silver tornou-se no segundo cavalo ruço e o primeiro em 90 anos a vencer oGrand National desde Lamb (1868 e 1871). Jay Trump (1965) foi o primeiro a vencer o The National e a Maryland Hunt Cup, feito repetido apenas por Ben Nevis II, que ganharia o Grand National em 1980. A história mais interessante desta década, aconteceu com Foinavon em 1967, que no decorrer da prova com vários percalços devido a muitas recusas de cavalos em saltar um dos obstáculos, tarefa que cumpriu com distinção e que permitiu deixar a demais concorrência a uma distância considerável na prova. No dia anterior, Red Rum, com dois anos estreava-se em Aintree.

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Na década de 70, dois cavalos dominaram o Grand National, L'Escargot e Red Rum. O primeiro foi um cavalo de primeira linha, tendo vencido a Gold Cup de Cheltenham em 1970 e 1971. Derrotou Red Rum no Grand National de 1975, impedindo a terceira vitória consecutiva para o favorito de Aintree. L'Escargot também terminou em terceiro lugar o Grand National de 1973 e sagrou-se vice-campeão em 1974. Red Rum, naturalmente, viria a cotar-se como o único cavalo até aos nossos dias a ganhar por três vezes o Grand National, vencendo a corrida em 1977, depois de em 1976 ter ficado em segundo lugar. O Grand National de 1973 é, talvez, aquele que é mais recordado, por ter sido a corrida em que Red Rum efectuou uma recuperação extraordinária face a Crisp, um cavalo que havia vencido o Champion Chase em Cheltenham e que veria perdida a sua vantagem para Red Rum cortar a meta no primeiro lugar.

Em 1981, uma outra história com contornos especiais e digna de assinalar: Bob Champion, acabado de recuperar de um cancro nos testículos montou Aldaniti, que também havia recuperado de uma laminite, e foram os vencedores. A história deste conjunto ficou perpetuada na sétima arte com o filme "Campeões". Em 1982 Dick Saunders tornou-se o jockey mais velho a vencer a corrida aos 48 anos de idade na sela de Grittar. Este também foi o ano em que Geraldine Rees seria a primeira jockey a completar a prova.

No ano seguinte, 1983, outra senhora, desta feita Jenny Pitman alcançava o estatuto da primeira treinadora a vencer, com Corbiere.

Em abril de 1986 uma vitória para um outro favorito de Aintree, West Tip. O curioso neste cavalo é que teve a sorte de sobreviver a um acidente com um camião em 1982 para além de ter disputado seis Grand National consecutivos entre 1985 e 1990, somando mais duas vitórias ao seu extenso currículo.

Nos anos 90, Mr. Frisk notabilizou-se com o registo do melhor tempo da história deste secular evento.
A corrida de 93 foi apelidada pelo comentador da BBC Peter O'Sullevan como "o maior desastre da história do Grand National" depois de 30 dos 39 conjuntos não se aperceberem de uma falsa partida e terem completado todo o percurso. Esha Ness 'ganhou' a corrida que acabaria inevitavelmente por ser declarada nula. O Grand National de 1997 foi adiado após a evacuação do hipódromo de Aintree devido a uma ameaça de bomba reivindicada pelo IRA. A corrida seria realizada dois dias depois numa segunda-feira e foi ganha por Lord Gyllene.

 

Grand National nos anos 2000

Nos anos dois mil, Donald “Ginger” McCain, o treinador do lendário Red Rum regressava a Aintree em 2004, para garantir seu quarto sucesso nesta corrida, desta vez com Amberleigh House. Este feito, fez dele o treinador com mais vitórias até hoje (4).

Em 2012, o público presente e os milhões que têm a oportunidade de assistir pela televisão em vários pontos do globo, viram o primeiro cavalo ruço em mais de 50 anos (e apenas o terceiro na história) a vencer a corrida. Tratava-se de um cavalo nascido em França de seu nome Neptune Collonges. Como curiosidade acresce o facto desse cavalo, no ano seguinte prosseguir a sua carreira mas desta feita na disciplina de dressage.

Muitas são as curiosidades, as superações e os dramas que podemos encontrar ao percorrermos a história do Grand National e que certamente nunca vão deixar de existir novos acontecimentos, como se espera que tenha lugar já este ano e como tradicionalmente, no segundo sábado do mês de Abril, no Hipódromo de Aintree, em Liverpool.

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