Dressage. 21 JAN 2021

TRANSIÇÕES

Entendo as transições como um dos exercícios mais completos das provas de Dressage.


Tempo de Leitura: 6 min

Reconheço que esta afirmação pode causar estranheza a alguns leitores, todavia, as transições revelam o equilíbrio, descontracção, impulsão, rectitude, capacidade de concentração, submissão, ligeireza, etc; ou seja, as transições revelam-nos a verdadeira qualidade do ensino do cavalo. A título de curiosidade, veja-se que a prova de Grande Prémio contém 26 transições das quais cinco são avaliadas individualmente.

 

DEFINIÇÃO
A transição é uma mudança de andamento ou a variação do tempo (velocidade do ritmo) dentro do mesmo andamento (ex: concentrado-largo-concentrado). As transições devem ser executadas de forma bem defi nida, na letra estipulada, mantendo a cedência (excepto no passo, onde esta não existe) e a qualidade do andamento até ao momento da transição. As transições devem ser executadas de forma fl uída, sem hesitação ou tensão, permanecendo o cavalo numa posição correcta.


OBJECTIVO
As transições visam encorajar o cavalo a desenvolver a capacidade de concentração, maior flexibilidade e movimento da linha de cima, melhorando, consequentemente, o seu equilíbrio e ligeireza (self-carriage).


ERROS COMUNS
Os erros que geralmente vemos associados às transições são: pouca definição (especialmente no que se refere à concentração), não execução das transições na letra (muito cedo ou muito tarde), perda de rectitude (geralmente garupa a dentro), perda de regularidade ou até mesmo de ritmo (precipitação), contra-flexão (geralmente na transição ao trote após o trabalho de galope), tracção das rédeas (o que leva o cavalo a baixar a nuca, colocar mais peso nas espáduas, abrir a boca), resistências (essencialmente por falta de preparação - meias-paragens), algumas passadas de passage/passagê nas transições da paragem ao trote, entre outros…

Transição 2 - AURELIO

DICAS

1) Visualização do exercício
Há alguns anos numa conversa informal com o criador e cavaleiro Paulo Caetano, sobre este tema, o mesmo referiu que: “(...) as transições são como o avião a descolar e a aterrar. Deve descolar forte e aterrar suave”. Naturalmente que não devemos simplifi car em demasia o conceito, mas creio que esta citação transmite uma boa ideia visual daquilo que se pretende ver. 

2) Conhecer o protocolo (exercícios combinados)
Apesar desta dica ser aplicável a todos os exercícios, o motivo pelo qual sinto a necessidade de referir este aspecto é porque em diversas provas a nota da transição inclui o andamento na parede pequena (ex: na prova de Grande Prémio a transição ocorre em “E” e o cavalo é avaliado até “F”; na prova St. George a transição ocorre em “K” e o cavalo é avaliado até “F”) e nem sempre os cavaleiros tem este aspecto em consideração.

3) O andamento antes da transição
A qualidade do andamento antes da transição é tido em consideração na nota da transição. Assim, se o cavalo apresentar um galope quase a decompor antes da transição ao trote ou um passo quase por laterais na transição ou trote (ou à passage) a nota da transição não pode ser elevada. Tente manter a qualidade do andamento até ao momento da transição.

4) Precisão
Se bem que as transições descendentes (ex: galope-paragem) podem ter uma difi culdade acrescida, a generalidade das transições ascendentes são menos difíceis (ex: paragem-trote), pelo que se executadas correctamente permitem alcançar uma boa nota, mesmo que o cavalo não tenha muita qualidade. Por ex: na paragem inicial ou após o recuar, evite que o cavalo dê 2/3 passos de passo antes de sair a trote, pois isto levará a perda desnecessária de pontos.

Para finalizar, gostaria de sublinhar que é importante que os cavaleiros dêem a devida atenção às transições, pois estas fazem parte da maioria dos exercícios, na generalidade das provas têm uma nota individual e, fundamentalmente, porque revelam o treino do cavalo e o empenho com que o cavaleiro está em prova. 

Nota: Esta análise é feita à luz do Regulamento da Federação Equestre Internacional (FEI), tendo por objectivo ajudar os praticantes de Dressage a “conservar” pontos que estão essencialmente relacionados com a execução do exercício e não apenas com a qualidade do cavalo.

Fotos: Aurélio Grilo 

 

Artigo publicado in Revista Equitação n.º 143 , Maio/Junho de 2020

 

Veja também:

- Como entrar em pista e causar boa impressão

- O trote médio/largo

- A espádua a dentro

- O ladear

- O recuar

- A passage

- O Piaffer

Autor:

Frederico Pinteus

equitacao@invesporte.pt

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