Artigos. 04 JAN 2021

Um quarto de século!!!

As aventuras são, por definição, excitantes, mas rápidas. A aventura que a “Equitação” constituiu tornou-se continuada e firme, perdurando faz um quarto de século, durabilidade incomum nas revistas de qualidade que saíram do prelo em lusa pátria.


Tempo de Leitura: 6 min

Que se lembrem que a mítica “Orpheu” durou quatro números, pesem os excelsos nomes que a escreviam.

Esta Revista já viu um pouco de tudo, para cima, para baixo, mas sabendo concretizar fidelidades (por vezes não retribuídas…), aguentou o suficiente para que se publique até hoje. É obra que devemos enaltecer nas pessoas de todos os que para tal contribuíram.

É bem verdade que tenho saudades do período de oiro em que os «Troféus Equitação» se tornaram rapidamente nos prémios mais valorizados, quer no meio hípico, quer tauromáquico, por isso muito honrados pelos que justamente os receberam; aliás, tais Troféus, desde a primeira hora, contemplaram personalidades vivas, o que não é de somenos, se nos lembrarmos das muitas vezes em que os júris se descartam de quezílias com outorgar a titulo póstumo, que é óbvio, por decoro ninguém contesta. Que recorde também que o Troféu em si era tão só uma obra de arte de Rui Fernandes, o que expressa o
esforço em prol da dignidade em que a Revista se empenhou. Pessoalmente, muito me agrada que o primeiro dos “Troféus Carreira” tenha sido outorgado ao insigne cavaleiro tauromáquico Mestre David Ribeiro Telles que, por doença, se fez representar para o receber, mas que sei por conversa com ele, posteriormente, que muito lhe agradou.

Saudades tenho também dos tempos em que se editaram caixas para a colecção dos números saídos, o que possibilitava a preservação da totalidade dos exemplares. Outros tempos…

Mas voltemos ao presente, que o passado é passado. É sabido que a pandemia de Covid-19 alterou de forma profunda o mundo em que nos movemos. No que ao taurino reporta, ainda mais, dado que sendo a única actividade artística que se insere no Ministério da Cultura que não é subsidiada, necessita desesperadamente de público para subsistir, visto que são os que vão comprar bilhete que a suportam. Exemplares foram as declarações do matador de toiros Miguel Abellán, representante taurino da comunidade de Madrid, junto da Praça de Toiros de Las Ventas, quando afirmou que cumprindo as determinações das autoridades sanitárias só dez por cento das localidades da Praça podiam ser ocupadas, sendo que 2500 entradas não suportam as exigências da montagem de cartéis na primeira praça do mundo. Assim, a exemplo do que ocorreu em Valência, Sevilha, Pamplona ou Bilbao, para só referir algumas praças de primeira, em Madrid não houve touros.

Em Portugal, meia dúzia de eventos táuricos, mal publicitados. No Campo Pequeno, passaram quase anónimos, o mesmo acontecendo com Vila Franca e com a Moita, para além de algumas corridas avulsas em outras terras do país.

Em Espanha, com ideias pensadas e bem estruturadas, conseguiram, para que a Festa de Toiros não morra, organizar o que chamaram a “Gira de la Reconstrucción”, indo sobretudo a Praças de 3.ª, com apoio das autarquias, mas cumprindo todas as medidas sanitárias, montar cartéis impossíveis de suportar, de Figuras e Toureiros emergentes, lidando touros de ganadarias de 1.ª. É bom de ver que, com a disponibilidade financeira da Movistar, proprietária do canal de toiros, deram oxigénio à Festa, e aos seus abonos, que se sentiram agradados com a posição, e não desistiram.

Em Portugal, sabendo (por experiência própria…) que as transmissões de corridas de toiros são picos altos de audiência, nem a televisão estatal, nem as privadas se chegaram à frente, contentando-se em zurzir a cabeça do pessoal até à exaustão com futebol e essa máquina de encher chouriços que são os comentários ao mesmo, em que uns quantos paineleiros, como os definiu Pinto da Costa (que sabe de futebol e das suas intrigas…) nos exaspera, à procura do sexo dos anjos. É certo que em Espanha se reduziram as corridas a quatro toiros, que nos foi dado ver figurões do toureio com ânsia de tourear a esticar faenas como se fossem novilheiros, que vimos distribuir música e troféus a faenas vulgaríssimas em praças de prestígio mas, é facto que souberam com dignidade manter a “afición”.

Finalizo com uma de mau humor. Sabido que a maior fábrica de animalismo do mundo é a super firma Disney (a tal que humanizou os coitados dos animais), esta anunciou o despedimento puro e duro de quatro mil funcionários (provando que dedicam mais atenção aos seus falsos animais do que às pessoas) sendo, no entanto, uma empresa multi-milionária, espero que a atitude faça reflectir os “animalistas” para que ganhem juízo.

Carpe Diem!!! (vive o dia) Vamos devolver à sociedade civilizada a ruralidade

 

Artigo publicado em Revista Equitação n.º 146

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* Na edição impressa em vez de "insigne cavaleiro" lê-se, erradamente, "indigente cavaleiro". Pelo lapso, pedimos sinceras desculpas. 

Autor:

Domingos da Costa Xavier

equitacao@invesporte.pt

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