Saltos. 22 SET 2020

Afinal quem é o vencedor da Taça de Portugal de Juvenis?

Realizou-se no passado fim-de-semana na Golegã a Taça de Portugal da Juventude onde, no escalão de Juvenis, após a entrega das medalhas, o vencedor foi desclassificado.


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joao santos - juvenis no podio

A notícia foi avançada pela EQUITAÇÃO esta segunda-feira, depois de confirmada junto do Director de Concurso, André Ponces de Carvalho.

De acordo com o mesmo, depois da subida ao 1.º lugar do pódio de João Santos e de entregue a medalha de ouro, foi feita uma queixa relacionada com o uso indevido de esporins por parte do cavaleiro, pelo que foi necessário chamar a Comissão de Recurso. Decidiu a Presidente do Júri Anabela Reis, desqualificar João Santos, sendo declarado vencedor - como noticiado - Afonso Rebelo e como aliás se pode confirmar pelos resultados finais validados e publicados pela equipa de cronometragem Lines Up (veja AQUI).

Tomada esta decisão, o cavaleiro João Santos tinha 30m para apresentar recurso, o que não sucedeu, por já não se encontrar nas instalações do Centro de Alto Rendimento da Golegã.

A fim de apurar a veracidade dos factos, a EQUITAÇÃO contactou Cristina Rocha, mãe do cavaleiro visado, que nos fez chegar o comunicado, que passamos a transcrever na integra:

 

“Na sequência da publicação referente a Taça de Portugal realizada no passado fim de semana na Golegã , e na qualidade de mãe do atleta João Santos, número FEP 28686, categoria Juvenis, sou a exercer o direito de resposta no que respeita à sua eventual desqualificação noticiada pela Revista Equitação.

Assim, e no sentido de esclarecer qualquer dúvida vamos aos factos, a saber:

i) O atleta João Santos foi inscrito na Taça de Portugal, categoria Juvenis, com o cavalo inscrito na FEP número 8598 - Godyar;

ii) Realizou a primeira e segunda eliminatória sem qualquer incidente, sendo que, na terceira eliminatória, primeira mão e já após a prova, foi advertido que não poderia usar os esporins que estava a usar desde início da Taça, o que acatou; assim e devidamente autorizado pelos comissários realizou a segunda mão da terceira eliminatória , bem como a barrage que lhe atribuiria o primeiro lugar do pódio, depreendendo por isso que a pena aplicável à infração, a existir, era a repreensão, pois não invalidaram a sua participação até a final.

iii) Foi realizada a devida cerimónia de entrega de prémios, sendo atribuída ao atleta a medalha e o primeiro lugar do pódio;

iv) Após a cerimónia começou a circular um RUMOR que estaria a ser apresentada uma reclamação baseada no uso de uns esporins proibidos, contudo nada foi notificado, por qualquer meio, até a presente data aos legais representantes do menor;

v) Aliás, parece que a comissão de recurso foi chamada, não estaria presente no concurso, pelo que, e já finda a Taça de Portugal, quando decorria ( já a finalizar) a prova dos 6 anos de cavalos novos, foram chamados a tribuna os legais representantes do atleta João Santos; Ora, e como normal seria, tantas horas após o término da prova/ Taça , nem o atleta nem o pai já não estavam no recinto;

vi) Deste modo, e até agora nada foi comunicado, pelo que, e assistindo ao lesado o direito do contraditório/recurso, aguardamos notificação nos termos legais para exercer esse direito, e em sede própria haver decisão final sobre reclamação apresentada, pelo que, em termos jurídicos até estarem esgotados todos os recursos não haverá decisão final e subsequentemente desqualificação imediata, salvo douto entendimento.

No que concerne aos motivos da reclamação, não tendo sido notificada desconheço por completo, para além de que diz respeito aos esporins, o seu conteúdo bem como o enquadramento jurídico feito por quem de direito, contudo sendo o Regulamento da FEP que determina as situações de desqualificação, não vislumbro que a proibição de quaisquer esporins tenha como consequência imediata a desqualificação, veja-se o artigo 242 , alínea 11.1, que determina desqualificação obrigatória no caso de marcas que indiquem uso excessivo de espora, ora o cavalo não tinha qualquer marca para além de usar cinta de proteção.

Relembro que o atleta nunca foi advertido em qualquer momento anterior para a situação dos esporins serem proibidos, o que demonstra a então a falta de profissionalismo dos comissários presentes neste concurso, que têm como responsabilidade atestar o cumprimento do vestuário, arreios etc, antes da entrada em pista de cada atleta, não podendo estar dependente da reclamação de terceiros aplicação de medidas mais gravosas do que a inicialmente aplicada, que foi notoriamente o caso. Veja-se que este atleta participou no campeonato Nacional em Vilamoura ainda este ano, com a mesma Presidente de Júri, com a maioria destes comissários, e NUNCA foi advertido desta situação, usando todos os dias os mesmos esporins!!!! É bom ter presente que estamos nas camadas jovens, logo em formação, devemos aplicar medidas corretivas e não punitivas, as mesmas que esta presidente de Júri usou no Campeonato Nacional em Vilamoura, em que o cavalo de um atleta tocou com a garupa no chão, devendo por isso ser eliminado por queda, conforme Regulamento FEP e nada foi feito!!! Dois pesos, duas medidas!!!

Pelo exposto, aguardo serenamente pela notificação, continuando a considerar como vencedor da categoria de juvenis o cavaleiro João Santos, até decisão não passível de recurso. Um agradecimento especial ao professor Hugo Carvalho pelo excepcional trabalho, pois levou quatro alunos/atletas a Taça de Portugal tendo todos eles alcançado o pódio.

Aveiro, 22 de Setembro 2020

Cristina Rocha”

Confira o programa do concurso AQUI

Fotos: Marisa Suzano

Autor:

Ana Filipe

anafilipe@invesporte.pt

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