Criação. 13 AGO 2020

«Devíamos eliminar da reprodução animais com maus curvilhões»

Confira o depoimento de Pedro Ferraz da Costa, criador e fundador da Associação Portuguesa de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano (APSL), no âmbito do desafio lançado por Bruno Caseirão com o tema "Cavalo Lusitano: o que preservar, modificar e inovar?"


Tempo de Leitura: 3 Min

Pedro Ferraz da Costa

«Nos últimos 60 anos – o período de que tenho memória, os criadores ocuparam-se do melhoramento, com muito bons resultados. Em Portugal, como no resto do mundo, a redução dos efectivos que se seguiu à motorização e ao fim da utilização militar, permitiu seleccionar e melhorar. É aliás um trabalho nunca terminado. E, prévio às diferentes opções de preservar, modificar e inovar – de melhores cascos até melhor cabeça - há muito a fazer antes de entrarmos no tema proposto.

O cavalo é material genético muito plástico e tem vindo a adaptar-se às necessidades do homem. E assim continuará. É indiscutível que o desporto e o lazer serão as utilizações a que terá de se adaptar para não desaparecer. Desde logo crescendo desde a pequena dimensão que tinha quando era presa até ser montada de cavaleiros cada vez maiores e mais pesados.

O melhor que podemos fazer como criadores é contribuir para a melhoria da resistência física dos cavalos. O que se tornou particularmente difícil quando deixaram de ter trabalhos longos e penosos. Não é possível seleccionar muitas características ao mesmo tempo. Precisamos de melhores membros, sobretudo de melhores curvilhões. Devíamos portanto eliminar impiedosamente da reprodução animais com maus curvilhões.

Os andamentos são uma característica que responde aos esforços de selecção. Devíamos procurar aumentar a amplitude do passo e galopes mais amplos e lentos.

Parece-me que a pergunta se destina a definir dois grupos de opinião, os que querem preservar as nossas tradições e os que as querem subverter. Reconhecendo, embora, que está na moda promover debates acesos, sou da opinião que precisamos sobretudo de fazer cavalos melhores, saudáveis, agradáveis para o cavaleiro e que não está, felizmente, ao alcance de ninguém alterá-los muito radicalmente.»

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