Criação. 11 AGO 2020

«A preservação não é mais do que uma espécie de saudosismo»

Confira o depoimento de Luís Pidwell, Criador da Coudelaria de Santa Margarida, no âmbito do desafio lançado por Bruno Caseirão com o tema "Cavalo Lusitano: o que preservar, modificar e inovar?"


Tempo de Leitura: 3 Min

luis pidwell

«Preservar, modificar, inovar. Três palavras que se resumem em duas: preservar e inovar, pois quem inova, modifica!

A inovação é o que está acontecendo na raça lusitana em cada dia e desde há muitos anos. Preservar é a expressão do saudosismo que assiste a muitas pessoas que frequentemente nem notam serem eles próprios inovadores.

No cavalo lusitano a inovação foi nos últimos anos uma constante e continuará sendo, sob pena de cristalização, retrocesso e morte. Não seria necessário dizê-lo aqui, mas para os mais novos e para os mais esquecidos, poder ser útil.

Há quarenta ou cinquenta anos, os toureios preferiam os árabes, puros ou cruzados, os hispano-árabes, os cruzados (designação dos sem raça), os de raças estrangeiras como o célebre Quo-vadis (sela francês de Mestre João Núncio, o Numerário do mesmo cavaleiro, quase todos os cavalos do Mestre Baptista eram cruzados), chegámos a ver no Campo Pequeno tourearam warmbloods alemães e até um quarter-horse sarapintado.

No Ensino nem vale a pena comentar! Não havia cavalos lusitanos. Nem cavaleiros, os pouquíssimos praticantes, usavam cavalos alemães, sela francês ou cruzados de inglês.

Quando os primeiros PSL entraram no ensino, quais pioneiros da raça nesta disciplina, em breve surgiram jovens cavaleiros e cavalos lusitanos em número impensável. Com surpresa, organizavam-se CDN’s e poules com várias dezenas de praticantes. Foi uma inovação e foi uma alegria ver o despertar do Ensino em Portugal através da mobilação da juventude e do cavalo nacional.

Pessoalmente, como criador, considero-me inovador, e os cavalos que crio na Coudelaria de Santa Margarida fazem parte da inovação da raça.

Respeito os que defendem a preservação, sabendo, porém, que isso não é mais do que uma espécie de saudosismo, com raízes no folclore nacional, insustentável numa raça que está em progressão inovadora acelerada e simultaneamente desfrutando de grande aceitação e procura internacional.»

QUER SABER MAIS SOBRE A CATEGORIA

Insira o seu e-mail e receba todas as novidades