Criação. 09 AGO 2020

«A selecção para a polivalência é um paradoxo biológico»

Confira o depoimento de Bento Castelhano, Engenheiro Zootécnico e consultor da Coudelaria da Casa Cadaval, no âmbito do desafio lançado por Bruno Caseirão com o tema "Cavalo Lusitano: o que preservar, modificar e inovar?"


Tempo de Leitura: 4 Min

bento castelhano

«Tendo formação académica na área do que me é perguntado, não sou capaz de me libertar. Quero dizer: o Cavalo Lusitano tem código genético e Zootecnia é um ramo da Biologia.

A única forma de preservação absoluta das características genéticas da Raça que conheço é a congelação de germoplasma, segundo sei, feita em Alter, no Laboratório de Genética Molecular, nas clínicas de reprodução e por alguns criadores. Há́ alguns anos começou também a falar-se em clonagem, que multiplica seres com código genético idêntico, mas que são, ainda assim, diferentes no seu fenótipo.

Todas as formas de multiplicação biológicas com recurso à reprodução terão alterações de características entre cada geração. Conforme qualquer manual de Biologia!

A definição de quais os animais que se reproduzem e como estes se emparelham em cada geração definirá em boa parte as características genéticas da população em cada momento. Assim, do mesmo material inicial surgirão animais profundamente diferentes ao fim de várias gerações. Exemplo: de uma população ibérica equina idêntica, o Cavalo Peninsular, em relativamente poucas décadas chegámos a duas realidades bastante distintas, o PRE e o Lusitano.

Qualquer produção (zootécnica ou não) deve basear-se em controle de qualidade, que terá́ distintos patamares conforme a qualidade daquilo que se pretende assegurar fazer chegar “à mão” dos consumidores. Ou seja, está implícito um conceito de mercado e da satisfação das expectativas de consumo associadas. Em Produção Animal, é assim que se definem os Critérios de Selecção. Este último aspecto arrasta dois outros: será́ difícil sustentar uma produção que não tenha quem a consuma e assegurar consumo a quem não garanta a qualidade na produção.

A antítese de tudo isto é a biodiversidade anárquica defendida por determinados grupos ideológicos que não imagino como sobrevivem ou se sobrevivem realmente vivendo com aquilo que defendem...! 

A selecção para a polivalência é, por tudo o que antes tentei resumidamente fundamentar, um paradoxo biológico e a inovação limitada a um “pool genético” de um Livro Genealógico fechado, inevitabilidades regulamentares da Raça Lusitana.»

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