Criação. 04 AGO 2020

«Há [hoje em dia] vários cavalos próximos do “padrão ideal”»

Confira o depoimento de João Ralão Duarte, Secretário Geral da Associação Portuguesa de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano (APSL), no âmbito do desafio lançado por Bruno Caseirão com o tema "Cavalo Lusitano: o que preservar, modificar e inovar?"


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«Conforme foi desenvolvido no artigo de opinião do Dr. Bruno Caseirão, o cavalo Lusitano tem tido nos últimos 25 anos uma grande evolução e aceitação como cavalo funcional, a nível nacional e internacional.

Numa primeira fase os Concursos de Modelo e Andamento foram o grande veículo de promoção do Lusitano, trazendo a essas provas muitos apaixonados (e compradores) nacionais e estrangeiros, fazendo com que os criadores vissem esses eventos como uma oportunidade de promoverem e comercializarem os seus produtos. Além disso ajudou também a uma maior homogeneização do efectivo da Raça.

Posteriormente, com a afirmação do Lusitano na Funcionalidade, nomeadamente no Toureio (que teve um papel importantíssimo nas características hoje reconhecidas no nosso Cavalo), Ensino (onde cada vez mais se afirma mundialmente), Equitação de Trabalho (disciplina onde se adapta perfeitamente, sendo reconhecidamente a sua Raça de excelência) e Atrelagem (duas vezes campeões do Mundo), os objectivos dos criadores passaram a apontar mais nesse sentido.

Apesar de ser “fechado”, o Livro Genealógico do Cavalo Lusitano tem, ao longo dos tempos, por decisão dos criadores e com a aprovação da tutela, visto o seu Regulamento alterado e corrigido, adaptando, além de outros pontos, as formas de aprovação e os títulos dos Reprodutores (acrescentando os Recomendados, de Mérito e Funcionais), de forma a que essas alterações reflectissem os anseios dos criadores.

O padrão do Lusitano, conforme provam os resultados obtidos recentemente, adapta-se perfeitamente a uma Raça que quer cada vez mais consolidar a sua imagem através da funcionalidade, havendo vários cavalos próximos do “padrão ideal”, com excelentes resultados desportivos, o que refuta a ideia de se ter de alterar esse Padrão.

É de todo legítimo que os criadores queiram produzir animais que cada vez se adaptem melhor à vertente competitiva, mas essa adaptação deve ter como objectivo fazer em animais com cada vez melhores peças importantes na locomoção (dorso, membros, espáduas e garupa), nunca esquecendo que criam animais com as características próprias e bem definidas de uma Raça e não de um registo genealógico “aberto”.

O perigo de alterações que conduzissem a uma descaracterização do nosso cavalo poderia levar a que daqui a pouco tempo, não tivéssemos nem bons cavalos Lusitanos… nem de outra qualquer Raça…»

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