Criação. 22 JUL 2020

Coudelaria Monte do Casão

Localizada em Borba, a Coudelaria Monde do Casão nasceu em 2008, dedicada à criação de cavalos Puro Sangue Lusitano (PSL).


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monte casao

Tal como os campos alentejanos em pleno Verão, assim são as cores principais dos animais desta casa onde predominam as pelagens Lazã e Palomina.

Daniel Luís é o proprietário, e embora a vida o tenha «levado» para o mar - trabalhando na área do Mergulho Profissional a nível nacional e internacional - o facto de ter nascido no campo e crescido numa Herdade no Alentejo, habituado a assistir à lide dos touros e ao campinar a cavalo, fez com que esse gosto tenha sempre ficado dentro de si.

“Nunca pensei ter uma Coudelaria embora fosse um sonho”, recorda. “Na realidade, tive sempre um ou dois cavalos, montando como amador. Morava, tal como hoje, em Almada, abraçando uma profissão muito exigente e ligada ao mar. Tive cavalos na casa do Rui Fernandes, Correia Lopes, conheci grandes Mestres e outros que não o eram na altura, mas que o são agora.”

Foi com o matrimónio que se deu o seu regresso parcial ao Alentejo e à agricultura, altura em que conhece “um grande cavaleiro, António Lopes Aleixo, com quem firmei amizade e que me vendeu o primeiro grupo de éguas PSL. Lembro especialmente de duas: a Tigelada e a Persa, com ferro Viscondessa dos Olivais. Também com o ferro do meu Amigo António Aleixo adquiri um cavalo de nome Adão, filho do Esquivo e neto do Opus 72 (cavalo que levei a aprovar para garanhão). Eram animais com linhas que me fascinavam pelo seu historial e conteúdo funcional e assim começou a Coudelaria do Monte do Casão.”

Actualmente a casa, de ferro MC, conta com um efectivo composto por seis éguas e um garanhão PSL, estando a usar como padreadores Adão, D. Juan do Cabeção e Imperador do Cabeção, que, nas palavras do criador, “são animais com um capital genético, com provas dadas, funcionais.”

Embora a pelagem seja, sem dúvida, algo que salta à vista, Daniel Luís defende que a principal característica que procura nos cruzamentos são “conteúdos funcionais utilizando reprodutores com provas dadas embora a pelagem seja, ainda assim, um factor com alguma importância. O Adão (neto do Opus72) é russo.”

Apesar dos cavalos lazões e palominos serem muito procurados, os clientes estão cada vez mais exigentes e, como tal, é preciso apresentar “cavalos bons” e essa é a “principal preocupação desta produção”.

Quanto a animais deste ferro que se têm vindo a destacar, nota para Minerva do Casãoo e Malmequer do Casão, devido às suas “capacidades e qualidades implícitas (os tais conteúdos funcionais que não se encontram numa qualquer «mula» no mercado da Malveira, com muito respeito pelas mulas da Malveira!)”, comenta o criador.

Interrogado sobre a criação de cavalos em Portugal, principalmente da raça Lusitana, Daniel Luís defende que “há muita evolução na criação de cavalos PSL visando um tipo de mercado. Há muita gente nova (Dinástica) motivada e que foi a montante buscar um capital de conhecimento aos seus ancestrais. Pergunto-me apenas se o caminho que se está a traçar para o nosso cavalo Lusitano (típico) será o melhor ou será apenas e somente o seu abastardamento a médio prazo? Não sei...”

A questão dá que pensar, mas se quiser trocar ideias com o criador, conhecer a Coudelaria e os seus produtos, Daniel Luís afirma que está de portas abertas e que “serão sempre bem vindos!”. Fica o convite!

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Autores:

Ana Filipe

anafilipe@invesporte.pt

Ana Rita Moura

anaritamoura@invesporte.pt

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