Criação. 18 JUL 2020

"Basta de procurar culpados para o nosso desaire como criadores"

Confira o depoimento de João Pedro Rodrigues, Mestre Picador Chefe da Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE), criador, cavaleiro e treinador, no âmbito do desafio lançado por Bruno Caseirão com o tema "Cavalo Lusitano: o que preservar, modificar e inovar?".


Tempo de Leitura: 4 Min

JoaoPedroRodrigues

"Pedem-me para em poucas palavras dar a minha opinião sobre o preservar, modificar e inovar na Raça Puro Sangue Lusitana. Penso que isto tudo anda à volta do termo «Raça» e como a nossa, existem outras: Puro Sangue Inglês, Puro Sangue Árabe, etc.!

O que temos é de analisar este termo numa outra óptica: «RAÇA» no sentido de que quando nos deparamos com um cavalo lusitano, temos de descobrir algo de especial, algo de o diferente quer na sua morfologia dentro do padrão da raça, quer na sua multifuncionalidade.

O cavalo lusitano, nunca foi tão testado como agora e com tão bons resultados. Isto deve-se à selecção que foi feita nos últimos anos, por todos os que nela estão envolvidos: criadores, cavaleiros, treinadores, associações, veterinários, etc. Vemo-lo em diferentes modalidades como cavalo Rei: toureio, equitação de trabalho, equitação clássica, atrelagem, lazer, em relação ao ensino de competição (dressage), ainda é príncipe e vamos lá ver se vem a ser Rei! Com isto quero dizer que os criadores têm nas suas mãos inúmeros garanhões e éguas que podem utilizar nas suas coudelarias para poderem criar o tipo de cavalo que quiserem. Basta de querer encontrar culpados para o nosso desaire como criadores. Por vezes, culpa-se as direcções da APSL, outras vezes são os juízes e respectivos métodos de julgamento, mas no fim de contas os responsáveis por estes infortúnios somos nós.

Fala-se muito no afunilar da Raça, por utilização excessiva dos ditos «garanhões da moda»! Sempre os houve! Não nos podemos esquecer que não vieram do céu. Estes têm por detrás parentes muito próximos, que vêm das ditas linhas antigas. Tenho assistido , com mágoa, à extinção de algumas coudelarias tradicionais. Que pena! Mas ao longo das últimas décadas isso sempre aconteceu. Umas começam e outras acabam.

Concluindo, acho que não temos de modificar muito. O lusitano está no bom caminho e até tem evoluído de uma forma mais rápida do que alguma vez imaginei. Temos de nos adaptar com bom senso ao que nos é exigido pelo mercado actual do nosso cavalo, sem desvirtuar este fantástico património. Para isso, temos que ter o maior número de animais com «RAÇA» no nosso efectivo coudélico, assegurando assim a Raça Puro Sangue Lusitano."

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