CCE. 18 MAI 2020

Ingrid Klimke, uma cavaleira de dinastia

A cavaleira de CCE alemã Ingrid Klimke concedeu uma entrevista à Federação Equestre Internacional (FEI) e revelou várias curiosidades sobre a sua vida.


Tempo de Leitura: 6 Min

Ingrid Klimke

Ingrid Klimke conta em CCE com a participação em cinco Jogos Olímpicos, quatro Jogos Equestres Mundiais e 10 Campeonatos da Europa da FEI. A sua colecção de medalhas conta com duas de ouro por equipas em JO e uma de prata; duas de ouro por equipas nos Jogos Equestres Mundiais e uma de bronze individual.

Não esquecendo ainda o ouro duplo conquistado no verão passado em Luhmuehlen, na Alemanha, no Campeonato da Europa que fez elevar a sua contabilidade para seis medalhas, de ouro, prata e bronze.

O talento de Ingrid Klimke como cavaleira de Dressage tem sido fundamental para muitos destes sucessos, e prova disso foi o sétimo lugar que garantiu na final da Taça do Mundo de Dressage da FEI em 's-Hertogenbosch, nos Países Baixos, em 2002.

Recorde-se ainda que a atleta está seleccionada pela selecção alemã para disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 entretanto adiados para 2021, nas disciplinas de CCE e de Dressage, qualificada com três cavalos em ambas. “Espero que todos se mantenham saudáveis até ao próximo ano”, disse.

Mas há uma razão para que se tenha tentado qualificar nas duas disciplinas olímpicas. “Vi o Mark Todd (cavaleiro da Nova Zelândia) a competir em Saltos de Obstáculos e CCE, em Barcelona, e desde então que tinha o sonho de fazer algo parecido um dia. “O meu pai também (o cavaleiro alemão Reiner Klimke) competiu nos Jogos Olímpicos de 1960 em Roma em CCE e depois tornou-se num cavaleiro de Dressage.”

Além do seu pai, a atleta revela ainda outros dos seus ídolos de quando era criança. “Admirava Lucinda Green e li todos os seus livros. Ela foi campeã mundial e europeia em Luhmuehlen (ouro por equipas para a Grã-Bretanha no Campeonato Mundial de 1992). E claro, o Mark Todd, que sempre foi como uma lenda”, contou.

Ingrid Klimke_ FEI_Christophe Taniere

© FEI/Christophe Taniere

A cavaleira falou ainda sobre a pressão de ser filha de Reiner Klimke. "Quando era mais nova e corria tudo bem as pessoas diziam-me «Para um Klimke, esse é um resultado normal» e quando errava diziam «Um Klimke devia fazer muito melhor que isso».

Relativamente à crise actual da Covid-19 a cavaleira mostrou-se optimista. “Se estivermos constantemente a ouvir as notícias, é muito fácil perdermos a atitude positiva, porque há muita incerteza. Mas digo a mim mesma que sou uma privilegiada, sou saudável e a minha família também, então devemos permanecer pacientes. Agora não sabemos quando vai haver uma vacina, mas devemos estar confiantes e agradecer o que temos.”

10 CURIOSIDADES SOBRE INGRID KLIMKE 

Existe algo que não goste relativamente aos cavalos?

Não, embora o meu pai não quisesse que eu me tornasse numa cavaleira profissional, quando era jovem. Pensou que isso ia mudar a minha atitude em relação aos cavalos, porque teria que vendê-los.

Criou o seu próprio modelo de negócios. 

Nós não vendemos cavalos, mas mantemo-los e competimos com eles, e sou muito feliz por ter bons patrocinadores que tentam cuidar bem deles. Asha (a sua égua de CCE, agora com nove anos), poderia ter sido vendida por muito dinheiro, mas o seu dono disse que não vendíamos membros da família.

O cavalo que mais gostou?

Pinot. Foi o meu primeiro cavalo, um pequeno garanhão Trakehner. Foi com ele que fiz o meu primeiro concurso de Saltos, de Dressage e de Completo.

O melhor cavalo que já montou?

A égua Escada, ela pertenceu à equipa vencedora dos Jogos Equestres Mundiais em Caen (em 2014) e tinha todas as qualidades que se pode imaginar.

Como aprendeu a dominar três disciplinas difíceis?

Por causa das oportunidades que os meus pais me deram. Por exemplo, quando estive com Ian Millar (cavaleiro de saltos canadiano), tive a oportunidade de perceber a sua forma de saltar. Assim como ter convivido bastante com Fritz Ligges (medalha de ouro alemão, nos Jogos Olímpicos de Munique de 1972), que também estava a competir em CEE e Saltos, e que era um amigo íntimo do meu pai. Por isso, durante a minha adolescência tive a oportunidade de privar com cavaleiros maravilhosos nas três disciplinas.

Disciplina favorita?

Cross Country em CCE.

Um momento memorável.

Em Sidney (Jogos Olímpicos de 2000), o Cross Country com steeplechase era tão longo - 13 minutos e cinco segundos - estava muito calor e não tinha a certeza se estava pronta para aquilo. Antes de realizar a minha prova já se ouviam notícias de várias quedas e na linha de partida, escutei alguém dizer «acho que a Ingrid não vai conseguir»... Então, disse ao Blue (Sleep Late) que tínhamos que fazer algo que nunca havíamos feito antes. Apesar da dificuldade da prova terminei dentro do tempo e não podia acreditar!

Qual é a sua filosofia de vida?

Fique firme e procure as coisas positivas, mesmo que às vezes não as veja imediatamente.

O que a faz rir?

Crianças e cavalos jovens ... a maneira como vêem o mundo pode ser muito engraçada!

O que a faz chorar?

Ver os refugiados no campos na Grécia e ninguém disposto a salvá-los. Quando as pessoas são pobres e nascem neste tipo de situações, deixa-me muito triste. Sou membro da PLAN International, uma organização que trabalha para melhorar os direitos das crianças. E temos ajudado o máximo que conseguimos. Também quando vejo animais a serem abatidos por caçadores mexe muito comigo.

Autor:

Ana Rita Moura

anaritamoura@invesporte.pt

QUER SABER MAIS SOBRE A CATEGORIA

Insira o seu e-mail e receba todas as novidades