Saltos De Obstáculos. 27 ABR 2020

Perspectiva de Steve Guerdat sobre a Covid-19

O Covid-19 privou Steve Guerdat da oportunidade de vencer a Taça do Mundo de Saltos de Obstáculos da FEI pela quarta vez consecutiva, de garantir a segunda medalha de ouro olímpica individual e até do seu próprio casamento, que tinha data marcada para o próximo mês.


Tempo de Leitura: 6 Min

Steve Guerdat_ FEI_Liz Gregg

© FEI/Liz Gregg

A Federação Equestre Internacional (FEI) entrevistou o cavaleiro suíço Steve Guerdat e quis perceber de que forma é que o Covid-19 está a afectar a sua vida profissional e pessoal. Apesar do número 1 do mundo ter perdido a sua oportunidade de vencer a Taça do Mundo de Saltos de Obstáculos, pela quarta vez consecutiva, devido ao cancelamento da mesma, perdeu ainda uma provável segunda medalha dos Jogos Olímpicos de Tóquio, que foram adiados para o próximo ano. Além disso, o cavaleiro ia casar-se em Maio com a cavaleira francesa Fanny Skalli, que compete igualmente na disciplina de Saltos. Mas apesar de todos estes eventos não se virem a realizar, por enquanto, o cavaleiro permanece optimista e mostrou o seu ponto de vista sobre a actual crise.

“Ninguém fala sobre os milhões de crianças que em todo o mundo não têm água potável para beber e morrem de fome todos os dias. Nós só pensamos em como vamos chegar aos eventos, como é que vou pagar o meu Mercedes, como vou comprar um carro novo, um camião novo, assim como adquirir um cavalo novo”, começou por dizer Steve Guerdat.

“Os pobres enfrentam uma crise todos os dias das suas vidas. Agora nós nos países ricos temos que enfrentar este problema, mas não há razão para ter medo. É uma experiência e, pela primeira vez, é a mesma para todos. Então temos que olhar em frente e talvez pensar em fazer as coisas de uma maneira diferente. Mas vamos contornar a situação”, concluiu o cavaleiro.

Relativamente aos Jogos Olímpicos, que foram adiados para 2021, Steve Guerdat referiu que “isto muda as coisas. Os cavalos vão ter mais um ano de idade, mas aqueles que eram demasiados novos para 2020, talvez já estejam prontos para o próximo ano (...) Foi a decisão certa alterar a data.”

11 CURIOSIDADES SOBRE O NÚMERO 1

Durante a entrevista também houve tempo para conhecer um pouco mais sobre a vida do cavaleiro.

Quem eram os seus ídolos quando era criança?
Michael Jordan (jogador de basquetebol). Sempre fui fanático por desportos e a sua história é uma inspiração. Como cavaleiro, o meu herói sempre foi John Whitaker (cavaleiro britânico de Saltos). Ele faz tudo de forma muito natural.

E como é ser ídolo agora?
Não me sinto assim. Confio no que faço, mas ainda tenho muitas vezes a sensação de que cometo muitos erros, há coisas que gostava de fazer muito melhor.

Quem é a pessoa que mais o influenciou?
O meu pai (Philippe Guerdat). Deu-me sempre liberdade para eu fazer o que queria e é por isso que o respeito tanto. No desporto, ele era a pessoa mais influente desde o primeiro dia. E, claro, nos últimos anos, Thomas Fuchs também influenciou a minha carreira.

Porque é que gosta tanto de cavalos?
Porque eles dão muito e não pedem nada em troca. Tentamos retribuir ao máximo, mas eles não pedem. São muito leais e incapazes de trair alguém.

O que gosta menos nos cavalos? O trabalho duro?
Não é trabalho! Se acha que é trabalho, está na profissão errada! Talvez um tratador de cavalos possa dizer isso, mas um cavaleiro profissional não! Temos uma vida incrível.

De todos os cavalos que montou qual foi / é o que mais gosta?
Jalisca, porque foi com quem que dei o maior passo na minha carreira e que me levou à ribalta, ao vencermos a Taça de Genebra (em Dezembro de 2010). Sempre lutou comigo e por isso considero que foi a que mais me marcou.

Houve algum cavalo que não gostou?
Eu mentiria se dissesse que nunca fiquei zangado com um cavalo. Mas a verdade é que, assim que ficava aborrecido, pensava que o culpado era eu, por ter cometido o erro de ter grandes esperanças para aquele cavalo ou porque não o ensinei da maneira mais correcta... Mas a culpa não é dele, todos nós nascemos com algumas qualidades, há coisas que podemos fazer e outras que não fazemos tão bem.

Há algum cavalo que gostaria de montar?
Não, porque já montei o melhor cavalo da história de Saltos, Tepic La Silla. Só o montei por três ou quatro meses e ganhei a minha primeira medalha no Campeonato Europeu de Donaueschingen, na Alemanha, em 2003, e em alguns Grande Prémios. Ele era um cavalo de Alfonso Romo.

Qual o cavalo que o ajudou a mostrar o melhor de si?
Nino (cavalo com que conquistou a glória olímpica individual em Londres em 2012).

Quem são as suas maiores amizades no desporto?
Não tenho muitos, mas os que tenho são muito próximos. Alain Jufer, Gregory Wathelet, Daniel Etter e Eric Lamaze.

Um momento engraçado durante a sua vida profissional?
Talvez no primeiro evento que fiz quando trabalhei para Ian Tops... Houve um evento num lugar chamado Heikant e eu conduzi o camião durante três horas com o tratador e oito cavalos, mas quando chegamos, não conseguimos encontrar o parque de exposições. Na altura não havia sistema de navegação e continuamos a conduzir durante muito tempo até que eu percebi que nos tinha levado para Heikant na Bélgica, e o evento era em Heikant na Holanda! Felizmente, não estávamos muito longe, foram talvez mais duas horas, e perdemos apenas algumas provas.

Autor:

Ana Rita Moura

anaritamoura@invesporte.pt

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