Saltos. 24 ABR 2020

João Moura desce de nível mas diz manter a confiança da FEI

A EQUITAÇÃO conversou com o juiz sobre o recente despacho da FEI relativo à despromoção ao nível 3*, depois deste ter reprovado no exame de renovação.


Tempo de Leitura: 3 Min

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Em Janeiro de 2020, João Moura, até à data, único juiz português de 4*, rumou a Praga (República Checa) para um seminário onde realizou um exame de manutenção do estatuto e obteve uma nota inferior a 80% no mesmo, percentagem mínima que a FEI exige que se alcance em exame escrito e oral para manter a categoria.

O juiz foi de imediato informado da nota e consequente despromoção, tendo contestado no local e, posteriormente, apresentou recurso para o Tribunal de Apelo da FEI, cujo despacho chegou no início do mês, mantendo a decisão inicial.

A EQUITAÇÃO esteve à conversa com o juiz, que explicou que tudo se deveu ao seu limitado nível de inglês. “Todos os cursos realizados por mim, na FEI, decorreram em Francês, sendo este o primeiro em que tal não aconteceu. O meu nível de inglês tem limitações, prova disso é que, recentemente, num exame realizado no site internacional utilizado pela FEI para avaliar os seus oficiais, não fui além dos 72%. Embora perceba muitas coisas, o meu nível linguístico está longe de ser fluente, quer na oralidade, quer na escrita. Resumidamente, o que aconteceu foi que fui para Praga para um curso anual e não percebi que se fizesse o exame ali, de forma presencial, não o poderia repetir. Precisava ter uma nota de 80% para passar mas só consegui 74%. Seguiu-se a prova oral, com algumas das mesmas perguntas do exame por escrito e voltei a não ter sucesso, sendo informado que iria ser despromovido ao grau 3.”

João Moura considera que “foi um erro não ter optado por fazer o exame em casa, antes ou depois do seminário”, até porque, se o tivesse feito, teria tido a possibilidade de aceder aos MOQs, (perguntas de treino bloqueadas em Praga), assim como de o repetir, caso não atingisse a média exigida.

A FEI alega, e o Tribunal de Apelo confirma, que o juiz foi notificado por e-mail dessa situação com meses de antecedência, assim como na véspera da realização do exame e apresentou como provas, não só os respectivos e-mails enviados ao juiz, como vídeos de Praga. Confrontado com essa situação, João Moura reconhece que tudo se deve ao seu “mau inglês”, caso contrário “não teria optado por fazer o exame presencial”.

Apesar desta situação, “depois da decisão do Tribunal continuo a merecer a confiança da própria FEI, que me manteve como juiz estrangeiro no CSIO5* de Dublin e no CSI3* em Pequim” e salienta que “na prática, a despromoção ao nível 3*, apenas não me permite ser nomeado para Campeonatos da Europa e Jogos Olímpicos”.

Após este episódio, o juiz reconhece que deve aprofundar os seus conhecimentos da língua inglesa.

O despacho do Tribunal de Apelo da FEI com as regras dos exames, recurso de João Moura, provas apresentadas e decisão final, pode ser consultado na íntegra AQUI

 

Autor:

Ana Filipe

anafilipe@invesporte.pt

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