Saltos De Obstáculos. 08 OUT 2019

Irlanda qualificada para os JO de Tóquio em 2020

A Irlanda venceu a final da Taça das Nações, que decorreu no domingo, em Barcelona, e garantiu a sua presença nos Jogos Olímpicos em Tóquio, em 2020, enquanto o infortúnio bateu à porta da equipa nacional, que se retirou da competição.


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Taça das nações - irlanda

Na disciplina de Saltos de Obstáculos referente à final da Taça das Nações, onde participaram 18 países com apenas 5 a disputarem a segunda-“mão” do evento, coube à Irlanda levantar o troféu de campeã. A equipa, constituída pelos conjuntos Peter Moloney/Chianti’s Champion; Paul O’Shea/Skara Glen’s; Darragh Kenny/Balou Du Reventon e Cian O’Connor/PSG Fina, chegaram ao primeiro lugar do pódio com apenas um ponto de penalização, por excesso de tempo. Com esta conquista, a formação irlandesa assegurou um lugar nos JO de Tóquio 2020, afinal o seu grande objectivo para esta competição, que foi conseguido.

Por seu turno, a Taça das Nações, infelizmente para a formação portuguesa, não correu de feição, tendo mesmo o Chefe de Equipa lusa, João Moura, optado por retirar a formação da competição devido a inesperados e sempre desagradáveis incidentes.

Regressando aos vencedores, para Rodrigo Pessoa, Chefe de Equipa da Irlanda, “hoje (domingo passado) esperávamos uma luta muito dura da Itália e da Colômbia, que eram os nossos adversários directos para a qualificação de Tóquio. As pessoas às vezes não percebem a pressão que os cavaleiros sofrem para levar esta qualificação para casa. Tinham o peso do país aos ombros, era algo muito importante para eles e fazê-lo da maneira como eles fizeram, foi brilhante, tiro-lhes o chapéu!”, começou por referir.

equipa irlandesa Taça das Nações Barcelona -FEILinnea RheborgGetty Images

No final da prova, como é natural, Rodrigo Pessoa era um Chefe de Equipa completamente satisfeito pois a “sua” Irlanda já tinha duas disciplinas qualificadas (Dressage e CCE), “mas já há muito tempo que não marcava presença nos Jogos Olímpicos com Saltos de Obstáculos", disse

No segundo lugar do pódio, ficou a magnifica equipa da Bélgica, que vinha da primeira-“mão” sem faltas, constituída pelo quarteto de conjuntos composto por Olivier Philippaerts/H&M Extra; Niels Bruyseels/Jenson Van’t Meulenhof; Jérôme Guery/Quel Homme De Hus e Gregory Wathelet/Mjt Nevados S. Na final a Bélgica penalizou com quatro pontos.

O último lugar do pódio coube à formação da Suécia, que totalizou 12 pontos na final. A equipa foi composta por Henrick Von Eckermann/Toveks Mary Lou; Fredrik Jonsson/Cold Play; Evelina Tovek/Dalila De La Pomme e Peder Fredricson/H&M All In.

Sobre a prestação da equipa portuguesa que esteve presente em Barcelona, composta por António Matos Almeida, Rodrigo Giesteira Almeida, Luciana Diniz e Luís Sabino Gonçalves, acabou por ter sido curta uma vez que não foi além do primeiro dia de provas. O infortúnio bateu à porta dos portugueses, quando António Matos Almeida sofreu uma queda que resultou na fractura de uma perna. Este acidente deixou-o arredado da competição deixando a Equitação expresso nestas linhas, uma rápida recuperação para o cavaleiro. A par deste infeliz episódio, também a montada de Luís Sabino Gonçalves, Dominka Dominka van de Lucashoeve (uma égua, ruça, BWP de 10 anos, com a qual o cavaleiro português venceu em 2018 o GP-W do CSIO5* Budapest e este ano a Golden Cup a 1.55m do CSI5*-W du Dubai), apresentou uma ferida num posterior, na sequência de uma fricção da protecção de um boleto, tendo Luís Sabido Gonçalves por optar em não entrar na prova. Perante estas vicissitudes, o Chefe da Equipa lusa, João Moura, em acordo com os cavaleiros nacionais ali presentes, resolveu retirar a formação da competição.

Entretanto, na sexta-feira decorreu a prova de 1.45m, com 47 conjuntos em competição. A disputar o jump-off estiveram 40 binómios, entre os quais marcaram presença dois portugueses. A vencedora foi a britânica Holly Smith, com Denver que efectuou um percurso limpo em 28.78 segundos. Quanto aos portugueses, Rodrigo Giesteira Almeida, montando GB Celine (0 faltas em 29.33s), fez o quarto lugar, cabendo a Luís Sabino Gonçalves, com Unesco du Rouet, o 28.º posto, na sequência de um percurso com 2 faltas em 41.28 segundos.

Por sua vez a prova de 1.55m contou com 44 participantes, dos quais 11 tiveram de ir a desempate. O primeiro lugar do pódio pertenceu ao conjunto belga Pieter Devos/Jade V. Bisschop, que efectuou a sua prova sem faltas em 52.18s. Esta prova contou com a presença de Rodrigo Giesteira Almeida, que montou Kafka V. Heffinck, optendo o 7.º lugar, num percurso efectuado em 53.76s com 4 faltas. Também Luciana Diniz, com Vertigo du Desert, classificou-se em 9.º lugar, mercê da sua prestação que resultou em 4 faltas em 54.85 segundos.

Pieter Devos

Luciana Diniz, com Fit For Fun 13, participou também na prova colocada a 1.50m, onde alcançou o lugar mais baixo do pódio (3º) efectuando um percurso sem faltas em 39.26 segundos. Esta prova foi ganha por Kenny Darragh, com Sweet Tricia, com um percurso limpo num tempo de 37.11 segundos. Em segundo terminou Henrick von Eckermann, montando Fancy Me (0 - 39.21s).  À pista foram, ainda, os portuguêses, Rodrigo Giesteira Almeida, às rédeas de GB Celine, que se classificou em 9.º (0 - 40.40s) e Luís Sabino Gonçalves, com Unesco du Rouet, que terminou em 44.º. de referir que nesta prova competiram 56 conjuntos, dos quais apenas 14 passaram à segunda-“ mão”.

No Caixabank Trophy (prova de 1.45m) competiram 14 binómios. Emilio Bicocchi (ITA)/Flinton garantiu o primeiro lugar, sem faltas com um tempo de 59.91s. O português Luís Sabino Gonçalves também participou nesta prova, na sela de Unesco du Rouet, conseguindo a sétima posição (4 - 67.11s).

No sábado realizou-se ainda a Taça Challenge, onde participaram os nove países que ficaram de fora da final da Taça das Nações. A vitória pertenceu à formação da Espanha, que concluiu com quatro pontos, seguindo-se a Holanda, com oito e o Brasil em terceiro, com 12 pontos. Uma vitória espanhola que deixou, segundo as palavras do seu Chefe de equipa, Marco Fuste “um amargo de boca”.

"Perdemos a qualificação olímpica por menos de meio segundo na quinta-feira e isso partiu-nos o coração", referiu para adiantar de imediato que “às vezes o que o desporto tira, o desporto devolve. Hoje tivemos esta vitória maravilhosa e estou absolutamente empolgado e orgulhoso dos cavaleiros, membros da equipa, treinador, veterinário e todos os outros, porque no final foi um presente muito bonito para nos despedirmos da Taça das Nações de 2019”, referiu Marco Fuste.

Por último, referir que todos os percursos das provas da Taça das Nações de 2019, estiveram a cargo do sempre impecável e conhecedor Chefe de Pista espanhol, Santiago Varela, que vai também ser o responsável pelos percursos de Saltos de Obstáculos dos JO, Tóquio 2020.

 

Resultados completos AQUI

Foto: FEI/Linnea Rheborg/Getty Images

 

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Autores:

Ana Rita Moura

anaritamoura@invesporte.pt

José Costa

josecosta@invesporte.pt

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