Dressage. 27 JUN 2019

Ana Teresa Pires apura Braveaux para o Campeonato Alemão

A cavaleira açoreana apurou o cavalo Braveaux para o Bundeschampionate, na Alemanha.


Tempo de Leitura: 5 Min

Ana Pires (4)

Ana Teresa Pires tem 25 anos, é natural da ilha Terceira, nos Açores. Não tinha nenhuma experiência com cavalos, mas aos 11 anos decidiu começar a competir com o Urano, e foi aqui que claramente tudo começou.

Há 5 anos e meio teve a oportunidade de ir trabalhar para a Alemanha e não pensou duas vezes. A EQUITAÇÃO conversou com a cavaleira.

 Ana Pires (7)

EQUITAÇÃO - Como começou a paixão pelos cavalos?

ANA TERESA PIRES - A paixão pelos cavalos foi-me incutida pela minha família, em especial pelos meus pais. Os dois sempre demonstraram um gosto particular pelo mundo equestre, mas nós nem tínhamos animais em casa.

Aos 8 anos, a minha mãe decidiu comprar um poldro de 1 ano à minha tia. Nós não entendíamos nada do assunto nem tínhamos grandes expectativas, mas achámos que era uma boa ideia na altura.

O cavalo chamava-se Urano e quando fez 4 anos, procurámos um centro hípico para o desbastar. Na altura eu já tinha 11 anos, e comecei a competir com ele. Foi claramente aqui que tudo começou. Juntos alcançámos metas importantes nos Açores e, em 2008, chegámos a competir na final da Taça de Portugal, em Ponte de Lima.

 

O que a levou a sair de Portugal?

A Alemanha sempre me despertou muito a atenção pela qualidade de cavalos e cavaleiros que via, na altura, através da televisão.

Há cinco anos e meio, ofereceram-me a oportunidade de trabalhar aqui e nem pensei duas vezes, aceitei logo o trabalho. Não sabia para onde ia nem que tipo de estábulo era, tão pouco falava inglês, mas nada disso importou. Conversei com os meus pais, fiz as malas e em menos de uma semana já cá estava.

A vontade enorme que tinha de conhecer este país e a maneira como se trabalha com os cavalos foram, sem dúvida, os motivos que me levaram a sair de Portugal. 

Ana Pires (2)

Como foi o seu percurso desde que saiu de Portugal até aos dias de hoje?

Inicialmente estive um ano a trabalhar para o Paul Schockemöhle, depois estive 3 anos a trabalhar e a competir para o Hof Kasselmann e agora já estou há um ano e meio na coudelaria Hof Borgmann.

 

Que ensinamentos retirou por trabalhar com alguns dos melhores cavaleiros e cavalos do mundo, como o Paul Schockmöhle e o Ulrich Kasselman?

Quando trabalhei para o Paul Schockmöhle tive a oportunidade de montar super cavalos, como o Ferrari, o Total Hope, o Top Gear e muitos mais. Montar este tipo de cavalos que são de muita qualidade já foi uma aprendizagem.

Ulrich Kasselmann ensinou-me muito. Quando comecei a trabalhar para o Hof Kasselmann passei de montar só poldros a montar cavalos de todos os níveis, até Grande Prémio. Isso ajudou-me muito a pôr em prática exercícios que nunca antes tinha feito, como por exemplo, passagens de mão a tempo e entre outros. Deu-me muitas bases para agora poder ensinar cavalos até esses níveis. 

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Fale-nos sobre o cavalo que conseguiu apurar para o Bundeschampionate.

O Braveaux (Bordeaux x Florestan), um castrado de 5 anos, Hannovariano. Está comigo há pouco mais de um mês. Foi vendido no ano passado no leilão do meu patrão, Stephan Borgmann. Entretanto voltou ao sítio onde trabalho, para que eu o pudesse competir.

É um cavalo muito especial, muito simpático e com muita vontade de trabalhar. Apesar de nos conhecermos há pouco tempo, a nossa relação tem vindo a desenvolver-se de forma positiva, e a cada dia que passa os treinos correm melhor.

 

Quais são os outros cavalos que vai tentar apurar? E que provas vai fazer para que isso aconteça?

É dificil dizer nomes, uma vez que estou a trabalhar com muitos cavalos, de momento. Posso dizer que tenho dez cavalos para a classe dos 3 anos, quatro para a classe dos 4 anos e dois para a classe de 5 anos. Todos eles julgo terem possibilidades para se qualificarem. No entanto, só o saberemos depois das competições terminarem, e estas só terão início no final do próximo mês de Julho. 

Ana Pires (3)

Tem algum concurso de sonho no qual gostaria de participar?

O meu maior sonho seria um dia poder competir em Grande Prémio, independentemente de que concurso fosse. No entanto não vou negar que, obviamente, está sempre presente o sonho de algum dia vir a competir nos Jogos Olímpicos, mas até lá ainda há um grande caminho a percorrer.

Por enquanto, ficaria muito satisfeita e seria um sonho tornado realidade, se pudesse competir no Campeonato do Mundo de Cavalos Novos.

 

Tem intenção de regressar a Portugal?

Gosto muito de viver aqui, já estou muito habituada e por enquanto não faz parte dos meus planos voltar a Portugal, mas nunca se sabe. 

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Autor:

Ana Rita Moura

anaritamoura@invesporte.pt

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