Saltos. 27 FEV 2019

Luís Sabino Gonçalves focado no Europeu

A EQUITAÇÃO conversou com o cavaleiro que se encontra a competir no Algarve.


Tempo de Leitura: 9 Min

Luís Sabino & Carlton Império Egípcio

No último Grande Prémio do Vilamoura Atlantic Tour (CSI3*, 1.50m, a 24 de Fevereiro), Luís Sabino Gonçalves foi o melhor português em pista, com Acheo Di San Patrignano, um dos oito cavalos que levou até ao sul do país, poucos dias depois de ter regressado das 'Arábias', onde esteve durante um mês e conquistou importantes classificações.

"Esta minha ida aos Emirados Árabes Unidos (EAU) é a continuação de um primeiro convite, que recebi no ano passado,  feito pela Sua Alteza Scheikha Fatima bin Sultan Al Nahyan, para participar num conjunto de concursos internacionais que se realizam em diferentes Emirados. São competições com condições excepcionais, muito bons prémios e um mercado muito interessante para o comércio de cavalos e também para a expansão da «Sabino Saddle». Os organizadores e os cavaleiros Árabes recebem-nos maravilhosamente e o clima nesta época é de sonho."

sabino_EAU_2019

Para além de um belo 'bronze' e das experiências vividas fora de pista, no deserto, Luís Sabino Gonçalves trouxe para casa diversas rosetas e algumas Taças, tendo feito ouvir "A Portuguesa" nos CSI5*-W do Dubai e Sharjah, com Unesco du Rouet.

"O nível competitivo tem vindo a aumentar de ano para ano" afirma o português. E de facto, bastava olhar para as Ordens de Entrada/Resultados para encontrar inúmeros cavaleiros de renome. "Vão a estes concursos muitos e bons cavaleiros europeus, como Henrik Von Eckermann, Philipp Weishaupt, Janika Sprunger, Mark Mcauley, entre outros. Estão também representados muitos países da Região, como a Arábia Saudita, o Egipto,  a Síria, o Koweit, Oman, Jordânia, etc., todos com cavaleiros muito competitivos e equipados com óptimos cavalos."

Para esta temporada de um mês fora de Portugal, em Janeiro, o cavaleiro sediado em Valada (Cartaxo) há vários anos, levou três cavalos: Unesco du Rouet, Dominka van de Lucashoeve e Biloba des Chaines.

Unesco du Rouet (vídeo em cima), é um castrado, lazão, SF de 11 anos, "foi com ele que participei nos Jogos Equestres Mundiais, em Tryon (EUA) e com o qual ganhei o Grande Prémio do CSIO de Lisboa de 2018. É, neste momento, o cavalo que tenho na minha quadra com mais experiência. Defini um programa bem estruturado para ele, para poder chegar, em Agosto, ao Campeonato da Europa, em Roterdão, na melhor forma possível, e assim ajudar a equipa nacional a qualificar-se para os Jogos Olímpicos de Tóquio, que é o nosso principal objectivo para a época de 2019".

Dominka van de Lucashoeve (vídeo em cima), é uma égua, ruça, BWP de 10 anos, "com a qual ganhei em 2018 o GP-W do CSIO5* Budapest, e este ano a Golden Cup a 1.55m do CSI5*-W du Dubai. Esta maravilhosa égua, está também a ser preparada com o objectivo do Campeonato da Europa de Roterdão, para poder ter outra opção e escolher, no final, o melhor, entre ela e o Unesco, para representar Portugal no próximo Europeu".

Já Biloba des Chaines (vídeo em cima), castrado, SF de 8 anos, é "um cavalo que comprei dois meses antes de partir para os EAU, estava a participar em provas de 1.30m, e levei-o com o objectivo de o avançar a nível técnico e de experiência, para poder acompanhar a minha equipa principal durante a época de 2019. Evoluiu extraordinariamente, está já a competir bem a 1.45m."

No regresso a Portugal, Luís Sabino optou por 'assentar arraiais' em Vilamoura, um circuito de pré-época, composto por CSYH e CSI3*.

"Os treinos e competições durante a época, não devem ser sempre de alta intensidade. Como qualquer atleta, a forma tem uma curva ascendente onde vamos subindo e baixando a intensidade e exigência do treino, para que os cavalos possam chegar ao topo de forma, em Agosto, a Roterdão. Temos pelo caminho dois objectivos secundários mas não menos importantes, que são, a Taça das Nações de Lisboa no final de Maio e a Final da segunda liga em Atenas nos finais de Julho", explicou à EQUITAÇÃO o cavaleiro.

Entre a quadra de oito cavalos que levou para o Algarve, encontram-se "duas éguas de 7 anos, para preparar o futuro".

Depois do circuito de saltos português, Luís Sabino prevê 'dar um salto' a Espanha. "Tenho programado ir aos dois CSI’s 2* de Sevilla, com a segunda equipa, logo depois de Vilamoura e aos dois CSI’S 4* de Saint-Tropez, com a primeira equipa de cavalos, em Abril".

Campeão de Portugal de Saltos de Obstáculos por diversas vezes ao longo da sua carreira, interrogado se repetir o êxito não faz parte dos seus objectivos para este ano, Luís foi peremptório: "Para mim não. Os Campeonatos Nacionais estão a cair em desuso em quase todos os países. Existem países que já não têm esse tipo de competições. O calendário e os objectivos internacionais são tão exigentes, que acaba por ser praticamente impossível conseguir enquadrar uma data onde a maioria dos melhores cavaleiros/cavalos possam estar todos reunidos, para o Campeonato ter algum valor. Assim, desde há alguns anos, os Campeonatos de Seniores, deixaram de ser representativos.

Já existiu uma tentativa das federações europeias de organizarem os Campeonatos todos ao mesmo tempo, ou seja, no mesmo fim-de-semana, inclusive, houve federações que não inscreviam os seus cavaleiros em competições internacionais nessas datas, mas não funcionou.

O Palmarés de um cavaleiro sénior distingue-se pelas medalhas ganhas em Jogos e Campeonatos Internacionais e, depois, pelo número de vitórias em GP internacionais de 5*, 4*, 3*, 2*." Roterdão, é a grande meta para este ano.

Na Foto de topo: Luís Sabino & Carlton Império Egípcio, com o juiz internacional João Moura, 2.ª lugar a 1.40m no CSI3* de Vilamoura

 

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Autor:

Ana Filipe

anafilipe@invesporte.pt

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