Criação. 28 ABR 2020

Coudelaria Rebello de Andrade celebra Bodas de Prata

Embora a actividade cavalar tenha começado antes (1989), a Coudelaria Rebello de Andrade rapidamente percebeu que era ao Lusitano que se queria dedicar e esta a raça a promover.


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Hino, Jupiter. Qu'Hinote, Hezaire, Brinco e Ula-Ula foram os primeiros garanhões utilizados pela coudelaria que celebra agora 25 anos de criação de cavalos Lusitanos, tendo já padreado na casa também Zimbro, Elmo, Escorial, ou, mais recentemente, Útil.

Carlos Rebello de Andrade, criador, tem procurado nos garanhões características específicas, como explicou à EQUITAÇÃO. “Há várias formas de atingir o mesmo fim. Umas mais rápidas e outras mais lentas principalmente quando falamos de animais com gestação longa e uma cria por parto. Optei pela mais longa que foi ir obtendo os produtos e escolhendo ao longo do tempo o que queria para reprodutores. A minha primeira preocupação foi o temperamento, apesar da égua inicial ser uma Alter Real, Ba-Úna, que me deu óptimos filhos, tendo sido vários aprovados como garanhões. A base inicial dos machos reprodutores foram garanhões da linha Nilo (MV) que transmitiram uma nobreza e docilidade aos animais, o que facilita, ainda hoje, o maneio, incluindo o desbaste dos produtos obtidos. Após estabilizar a éguada com quatro éguas, todas com origem na Nikita da Lousa, mas filhas de cavalos diferentes, comecei a ter uma preocupação maior com a funcionalidade e o tipo (padrão racial) e, em função das características de cada uma, escolher o cavalo que poderia corrigir o que tivessem de menos bom. Mas não estamos a falar de matemática e nem sempre obtemos aquilo a que nos propomos apesar da qualidade acima da média.”

almonda ss

Almonda SS 

Hoje em dia, a casa situada em Castelo Branco, conta com seis éguas e dois garanhões de criadores reconhecidos: Elmo da Broa (Almansor da Broa por Quinteiro da Broa x Vistosa da Broa por Peninsular MV) de pelagem castanha e Almonda SS (Violino SS por Ofensor MV x Ingénua SS por Faraó JHC), de pelagem Isabel.

Temperamento, funcionalidade e tipicidade são os objectivos do criador que, nos últimos anos, tem tido diversos animais medalhados em Concursos de Modelo e Andamentos.

“Há várias formas de promover os produtos obtidos para maior facilidade de venda. Uns encarecem os mesmos como seja o modelo e andamentos, pois os animais têm de ter características especificas para aí vingarem, não querendo isso dizer que são melhores do que outros que nunca concursaram nesses eventos, mas é algo que dá visibilidade. O comprador é diversificado sendo feita a sua escolha em função de variadíssimos factores como seja o criador, a ascendência, a cor, a modalidade onde se notabiliza, a idade, a beleza em função da sua sensibilidade e o temperamento entre outros. Quer queiramos quer não, temos de produzir animais vendáveis e, dependendo da estrutura que cada um tem, assim traçar os objectivos. Como não tenho uma estrutura montada que me permita levar os cavalos a uma idade mais avançada, com os custos e valorização associados, faço por os vender até aos três anos baseado numa ascendência de qualidade, daí os garanhões no activo. Isto dá uma certa garantia, nunca esquecendo o temperamento que vende muito. Este também depende muito do maneio a que é sujeito durante a sua evolução como ser vivo e neste aspecto penso que o faço bem. Costuma-se dizer que «o animal é o reflexo do dono que tem».”

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Intruso da Tapada

Embora não tenha como prioridade os concursos de Modelo e Andamentos, em 25 anos de criação, há vários animais que se têm destacado como, por exemplo, Intruso da Tapada (2.º. Lugar, medalha de prata, Expoégua 2015) ou Jasmim da Tapada (3.º. Lugar, Expoéua 2015). Mas, para Carlos Rebello de Andrade, há um em particular: “o Útil porque foi garanhão na casa durante muitos anos e cujos filhos no desbaste foram super fáceis ao ponto de na Escola Superior Agrária de Castelo Branco, onde sou professor, três filhas desbastadas durante as aulas de Equinicultura aos três anos e meio foram de imediato utilizadas no Centro Equestre da ESACB e até na hipoterapia. Além disso foi o meu cavalo da Golegã durante 14 anos.”

Recorde-se que Útil foi 5.º classificado, com dois anos, no Festival Internacional do Cavalo Lusitano realizado em 2003 na Sociedade Hípica Portuguesa.

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Carlos Andrade com Útil

Interrogado sobre como imagina o cavalo lusitano daqui a mais 25 anos, o criador defende que, “face à forma como é feita a selecção, por cada criador em função das suas possibilidades, sensibilidade e conhecimento, continuaremos a ter um leque de animais com diferentes características e adaptados a uma ou outra modalidade mas com uma qualidade média maior do que se tem verificado. Embora para muitos seja controversa a avaliação para reprodutor dos machos e fêmeas temos que concordar que, não tendo qualquer relacção com a funcionalidade, serve para manter um certo padrão racial, algumas vezes contrário a essa mesma funcionalidade, e assim olhar para o animal e associá-lo ao cavalo Puro Sangue Lusitano. Ao fugir completamente ao padrão estaríamos a produzir um cavalo como outro qualquer e este perderia a sua identidade. Na Europa há raças com uma selecção mais criteriosa para cada modalidade e com efectivos largamente superiores ao nosso. Independentemente do objectivo de selecção de cada um, temos de oferecer um produto que se distinga desses pela beleza e principalmente na nobreza e facilidade de maneio ou seja temperamento.”

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Autor:

Ana Filipe

anafilipe@invesporte.pt

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