Dicas. 10 JAN 2020

O recuar

Nesta edição abordamos o recuar não como um exercício isolado mas no âmbito da sequência em que este é enquadrado nas provas: (i) passo/trote – (ii) paragem – (iii) recuar – (iv) passo/trote/galope.


Tempo de Leitura: 5 min

A definição

O recuar é um movimento direccionado para trás, deslocando-se o cavalo por diagonais simétricas (pé direito e mão esquerda - pé esquerdo e mão direita) sem que exista um momento de suspensão. Cada (par) diagonal sai e retorna ao chão de forma alternada (um movimento a dois tempos), mantendo-se os anteriores (mãos) alinhados com os posteriores (pés).

O objectivo

O recuar visa demonstrar a submissão, fluência e equilíbrio do cavalo, bem como melhorar a sua capacidade de concentração (i.e. a capacidade do cavalo baixar as ancas, avançando os posteriores para baixo da sua massa corporal, fazendo com que o seu centro de gravidade se desloque mais para trás).

Questões a ter em atenção:

Sem descurar os requisitos que são comuns a todos os exercícios (ex: ritmo, flexibilidade, contacto), foquemo-nos nos requisitos próprios deste exercício.

A) O que avaliamos neste exercício?

Avaliamos: (i) a qualidade da transição à paragem, (ii) a paragem (sobre estes dois pontos ver edição n.º 136), (iii) a fl uência, ritmo, regularidade e actividade das passadas, em conjugação com a elasticidade e rectitude do corpo do cavalo, (iv) a suavidade e estabilidade do contacto, (v) a capacidade do cavalo transferir mais peso para os posteriores, (vi) a prontidão (imediatez) da transição do recuar ao andamento seguinte (passo/trote /galope) e, finalmente, (vii) a precisão do exercício.

 

Dicas

Transições

Tenha presente que neste exercício existem três transições - 1) do andamento à paragem, 2) da paragem ao recuar e 3) do recuar ao andamento seguinte -, e todas são valoradas. Assim, transições progressivas, hesitantes ou abruptas conduzem à perda (desnecessária) de pontos.

Paragem

i. Na paragem, para além do equilíbrio, a imobilidade (pelo menos três segundos) também é avaliada e necessária para que as ajudas do recuar possam ser dadas no momento correcto. Tome o seu tempo e não tenha “pressa”, já que a pressa/ ansiedade levará à perda (desnecessária) de pontos.

Movimento

ii. O movimento para trás deve ser rítmico, regular, activo, pronto e fl uente, pelo que o equilíbrio da paragem é fundamental como é igualmente fundamental que as ajudas do cavaleiro sejam transmitidas de forma suave e sem tracção das rédeas. Evite puxar as rédeas.

Rectitude

iii. Os anteriores (mãos) do cavalo devem estar perfeitamente alinhados com os posteriores (pés) para alcançarmos a desejada rectitude. Se o cavaleiro olhar bem para a frente e ligeiramente para o lado interior da pista isto ajudá-lo-á. A direcção do olhar do cavaleiro é fundamental para a correcta execução dos exercícios e olhar para o chão ou para o garrote do cavalo “não ajuda”.

Contacto

iv. O contacto deve permanecer elástico, suave, com a nuca no ponto mais alto. O movimento deve começar pelo assento e pernas do cavaleiro que empurram contra a sua mão, que resiste de forma progressiva e adequada mas que jamais puxa. Evite puxar as rédeas pois isto levará ao baixar da nuca, perda de equilíbrio, precipitação, resistências, inviabilizando que alcance o objectivo deste exercício. Converse com o seu treinador, a reflexão e o perfeito esclarecimento deste tema é muito importante.

Rigor

v. Para alcançar as notas mais altas a paragem tem de ser efectuada na letra (o corpo do cavaleiro alinhado com a letra definida na prova) cumprindo-se o número de passadas exigidas. O número de passadas deve ser contado cada vez que um anterior (mão) do cavalo se move para trás.

Posição do cavaleiro

vi. Há algum tempo era comum sugerir que o cavaleiro se sentasse “mais fundo” no arreio para conseguir um bom recuar, no entanto a biomecânica tem mostrado/defendido que se o cavaleiro “aliviar” subtil e ligeiramente o seu peso (usando os estribos para este efeito), isto ajudará o cavalo a “subir” as costas e a melhorar a capacidade de concentração.

 

Como os estimados leitores podem perceber, o que inicialmente aparenta ser um exercício simples é, na verdade, algo complexo, daí que raramente se vejam performances de “9” ou “10” neste exercício.

Foto: Aurélio Grilo

 

Nota: Esta análise é feita à luz do Regulamento da Federação Equestre Internacional (FEI), tendo por objectivo ajudar os praticantes de Dressage a “conservar” pontos que estão essencialmente relacionados com a execução do exercício e não apenas com a qualidade do cavalo.

 

 Artigo publicado in Revista Equitação n.º 140 , Novembro/Dezembro de 2019

 

Veja também:

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O ladear

Autor:

Frederico Pinteus

equitacao@invesporte.pt

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