Criação. 19 DEZ 2019

"A raça Luso-Árabe tem vindo a ganhar cada vez mais notoriedade"

Quem o diz é Alexandre Castilho, presidente da Associação do Cavalo de Raça Luso-Árabe, em entrevista exclusiva à EQUITAÇÃO.


Tempo de Leitura: 12 min

Constituída em Fevereiro de 2017, a Associação do Cavalo de Raça Luso-Árabe (ACRLA) tem vindo a desenvolver várias iniciativas para promover a Raça Luso-Árabe, não só em Portugal, mas também além-fronteiras. Alexandre Castilho, presidente da Associação, conta-nos como têm sido estes três anos de existência da ACRLA e o que espera para o futuro da Raça.

 

EQUITAÇÃO: Porque decidiram criar a Associação do Cavalo de Raça Luso-Árabe?

ALEXANDRE CASTILHO: A Associação resulta da vontade de um conjunto de criadores que hoje fazem parte da Direcção ou estão directamente ligados a esta, participando activamente nas suas iniciativas. A crescente importância da Raça Luso-Árabe em Portugal e no estrangeiro tem vindo a despertar junto dos criadores uma necessidade cada vez maior de se fazerem representar junto de uma Associação profissional que represente institucionalmente a Raça.

A ACRLA está sediada em Coruche, distrito de Santarém, e tem a sua secretaria no Observatório do Sobreiro e da Cortiça em instalações gentilmente cedidas pelo Presidente da Câmara de Coruche, Dr. Francisco Oliveira, que nos tem apoiado desde o primeiro dia.

Temos como missão principal apoiar os criadores da Raça Luso-Árabe, dinamizar esta Raça dando-lhe um rumo e projecção a nível nacional e internacional, algo que até à data nunca tinha sido realizado.

Quais os principais desafios que encontraram?

Quando começámos a trabalhar em prol da raça Luso-Árabe deparámo-nos com diversos desafios, havia um enorme descontentamento e desacreditação por parte dos criadores desta raça, pois sentiam-se totalmente desapoiados e desmotivados para a criação de cavalos Luso-Árabes.

Admissão 1

Uma vez que o studbook do Luso-Árabe está na Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, com tem sido a relação da ACRLA com esta entidade?

A Associação estabeleceu um protocolo em 2017 com a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária para trabalhar o studbook. Quando iniciámos este trabalho havia pouco mais de 40 animais inscritos no studbook, contudo à data de hoje já temos mais de 200 animais inscritos.

Este trabalho deve-se ao esforço, empenho e dedicação do Dr. Ricardo Agrícola (Secretário Técnico), da Senhora Eng. Maria Lopes Aleixo (Presidente da Comissão Técnica) e do Cavaleiro César Marques (Secretário Geral), são eles que diariamente estão em contacto com os Criadores e vão instruindo os processos, recolhendo informações, visitando os criadores e prestando todos os esclarecimentos e apoios necessários.

A relação com a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária tem sido muito boa, contudo gostaríamos de verificar um maior apoio e envolvimento dos Técnicos da DGAV, nomeadamente ao nível dos processos administrativos por forma a garantir uma maior rapidez de resposta aos criadores.

 

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Que tipo de iniciativas têm organizado para promover a Raça?

Para além das seis admissões de reprodutores da raça Luso-Árabe realizadas no território nacional, nomeadamente em Coruche, Samora Correia, Benavente, Salvaterra de Magos, Moura e Elvas, onde fomos calorosamente acolhidos pelos criadores e associados da ACRLA, iremos realizar no próximo dia 27 de Dezembro, conjuntamente com a DGAV, a última admissão de reprodutores. A importância destas admissões têm sido bastante reveladora de uma raça que tem um grande potencial presente e futuro. Temos vindo a admitir animais de grande qualidade e de importantes coudelarias como a Coudelaria Sociedade das Silveiras, a Coudelaria Arsénio Raposo Cordeiro Herdeiros, a Coudelaria Casa Gouveia, a Coudelaria Saramago Tavares Herdeiros, a Coudelaria Alves Inácio, a Coudelaria José Joaquim Raposo, a Coudelaria António Ribeiro Telles, a Coudelaria Maria Lopes Aleixo, a Coudelaria André Nunes, a Coudelaria Tiago Fragata, a Coudelaria Campo Aqui, a coudelaria João Batista Herdeiros, a Coudelaria Carlos Ameixa, a Coudelaria João António Brás de Moura, a Coudelaria Maria Inês Lapa Jorge, Coudelaria Luís Van Zeller Palha, Coudelaria José Alberto Teixeira, Coudelaria Diogo Vicente, Coudelaria João Machacaz, Coudelaria Bruno Machado, Coudelaria Rita Alexandra Rolo, Coudelaria Rúben Marques, Coudelaria André Justiniano, Coudelaria João Vieira, Coudelaria Távora Correia, Coudelaria Paulo Jorge Fonseca, entre outras, que irão contribuir para o aparecimento de cavalos Luso-Árabes de grande qualidade e funcionalidade.

Admissão2

A Associação também tem participado activamente e com a colaboração dos seus criadores nas principais feiras equestres nacionais, destacando-se a Feira Nacional do Cavalo 2018, a Expoégua 2019, a Feira do Cavalo de Ponte de Lima 2019 e a Feira Nacional do Cavalo 2019. Nestes eventos temos tido sempre a presença da DGAV, nomeadamente do Dr. Mário Barbosa (Técnico Superior do Gabinete de Recursos Genéticos Animais), da Dr. Susana Pombo e da Susana Fonseca, o que revela a confiança que a DGAV tem depositado na Associação e na vontade de publicamente vir a apoiar os eventos que organizamos, o que nos deixa bastante satisfeitos e confiantes de que estamos a realizar um bom trabalho.

Foram distinguidos em 2018 na FNC, na Golegã, os cavalos Goya criação Saúl de Almeida como o Melhor Cavalo Luso-Árabe e o Joselito, criação Sociedade das Silveiras como o Melhor Reprodutor da Raça Luso-Árabe.

Em 2019 distinguimos os cavalos Jackpot, criação José Henriques da Silva Herd., propriedade do cavaleiro Filipe Gonçalves como o Melhor Cavalo Luso-Árabe e o Hquiebro, criação da Coudelaria Inácio Ramos, propriedade do cavaleiro Rui Fernandes, pela sua Funcionalidade.

GOYA

A ACRLA também tem realizado algumas iniciativas em Espanha. Porquê essa decisão?

Espanha tem um número muito importante de criadores que têm uma grande paixão pelo cavalo Luso-Árabe. Estes criadores têm vindo a manifestar interesse em associar-se, razão pela qual a ACRLA deu os primeiros passos além-fronteiras.

Em 2019 efectuámos admissões de reprodutores do Cavalo de Raça Luso-Árabe, pela primeira vez, em Espanha, mais propriamente em Jerez de la Frontera, Sevilha, Madrid e Salamanca, junto de prestigiados criadores, destacando-se o Rejonedor Diego Ventura, José Luis Sanchez Gil, Património Agrário del Sur, Carlos Zuñiga, Ruferser, Manuel Jesus, Nestor Conde, entre outros. Foi um trabalho altamente gratificante pela forma entusiasta como fomos acolhidos pelos criadores espanhóis, associados da ACRLA. Relembro que em Agosto realizámos uma admissão de reprodutores, exclusivamente em Espanha, onde percorremos mais de dois mil quilómetros e foram admitidos animais de grande qualidade. Tem sido um trabalho árduo, mas temos conseguido responder a todos os pedidos dos nossos criadores, que é muito gratificante.

Admissão 3

Estas Delegações/Comissões Técnicas organizadas pela associação foram constituídas pelo Dr. Mário Barbosa (Veterinário e Técnico Superior do Gabinete de Recursos Genéticos Animais da DGAV), pelo Dr. Ricardo Agrícola (Veterinário e Secretário Técnico da ACRLA), pela Engª. Maria Lopes Aleixo (Engª. Agrícola e Presidente da Comissão da ACRLA) e pelo César Marques (Secretário Geral da ACRLA).

Os animais aprovados destacam-se pela elevadíssima qualidade e pela extrema importância da sua funcionalidade, sendo uma forte mais-valia para a raça em forte expansão na Península Ibérica.

A prova da importância do trabalho que tem vindo a ser realizado por esta Associação em prol do desenvolvimento do Cavalo de Raça Luso-Árabe foi o convite endereçado pelos nossos associados espanhóis para realizar a Admissão de Reprodutores, o que desde já revela a confiança e profissionalismo depositada pelos criadores espanhóis na nossa Associação.

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Em Novembro vendeu-se o primeiro Luso-Árabe para os EUA. Esta é uma prova de que têm efectuado um bom trabalho na divulgação da Raça?

Sem dúvida que sim. A venda do Cavalo Luso-Árabe HERMOSO DOS CEDROS, um cavalo extraordinário, da criação Quinta dos Cedros, propriedade do cavaleiro João Bretes, para os EUA é a prova de que este mercado está a crescer de uma forma global e a procura da Raça Luso-Árabe tem vindo a afirmar-se internacionalmente, não só em Espanha como também agora nos EUA.

Tivemos o privilégio de ter sempre presente nos diversos eventos que organizámos este lindíssimo cavalo magnificamente montado pelo João Bretes.

É um dos nossos objectivos assegurar a visibilidade dos exemplares da raça e dos seus criadores e proprietários, mas o mérito neste caso é sem dúvida do cavalo e do João Bretes, que desenvolveu um excelente trabalho.

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Já cumpriu três anos à frente da ACRLA. Que análise faz do trabalho realizado?

Foi com muito orgulho e entusiasmo que assumi a Presidência da Associação em 2017, tratando-se de um novo desafio, de um projecto ambicioso que só seria possível concretizar com a ajuda, o envolvimento e a participação dos criadores/associados, dos membros da Direcção e de instituições como a DGAV (Dr. Mário Barbosa), a Câmara Municipal de Coruche (Dr. Francisco Oliveira) e da Câmara Municipal da Golegã (Dr. Veiga Maltez) a quem agradeço todo o apoio prestado à ACRLA.

Passados três anos considero que o objectivo de criação e consolidação da Associação foi conseguido e a prova disso é a confiança e profissionalismo depositada pelos criadores ao longo destes três anos.

É extremamente gratificante assistir ao crescimento sustentado desta Associação e ver reconhecido o nosso trabalho, não só em Portugal como também em Espanha. Esta é mais uma prova que a raça Luso-Árabe tem vindo a ganhar cada vez mais notoriedade e adeptos, a nível nacional e mesmo internacional, pelas suas características e potencialidades.

Ponte de Lima 2019

Ainda tem mais um ano para cumprir deste mandato. O que espera ainda realizar?

Ainda há muito trabalho pela frente, ainda estamos no início de uma longa caminhada. Para o ano 2020 vamos continuar a trabalhar na divulgação da raça, no premiar dos melhores exemplares da raça, na distinção dos nossos criadores e na criação de um site oficial da ACRLA.

Temos vindo a ser surpreendidos por inúmeros criadores muito aficionados pelo cavalo Luso-Árabe. Quando perguntamos o que os leva a criar Luso-Árabes, respondem que esta é uma raça que acaba por consolidar o que o cavalo Lusitano e o cavalo Árabe têm de melhor, resultando assim numa excelente combinação e uma funcionalidade e versatilidade que valorizam o Cavalo Luso-Árabe.

Filipe Pimenta DGAV e ACRLA

Como vê o futuro da Raça Luso-Árabe?

Um futuro muito promissor, para além de um número elevado de cavalos já inscritos temos neste momento mais de cem associados em Portugal e Espanha. Os pedidos de inscrição de animais crescem de forma exponencial de dia para dia.

Com muitos projectos já delineados para 2020, que a seu tempo daremos conhecimento publicamente. Vamos continuar a trabalhar cada vez com mais afinco em prol do cavalo de raça Luso-Árabe, temos uma excelente equipa técnica a trabalhar.

Agradeço de uma forma especial à Revista Equitação o convite para a realização desta nossa primeira entrevista, desejando a todos um Feliz Natal e um Óptimo Ano Novo e aproveito a oportunidade para desejar um Santo Natal e um Excelente Ano de 2020 a todos os criadores, associados e aficionados.

ACRLA

CRIADORES

Autor:

Carla Laureano

carlalaureano@invesporte.pt

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