Entrevista. 19 NOV 2019

Manuel Paim, Presidente da APSL não tem dúvidas

“O Lusitano continua a ser uma raça muito versátil”


Tempo de Leitura: 25 min

O cavalo Lusitano evoluiu ao longo dos anos nas várias disciplinas e isso fez com que a Raça ultrapassasse fronteiras. Mais recentemente, os resultados obtidos em concursos internacionais, bem como a qualificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, mostram à evidência que o protagonismo alcançado se deve a muito mais do que uma moda. Trata-se de uma preservação de um património genético que consagra todos os que se têm dedicado à sua criação sob a égide da APSL.

A cumprir a recta final do seu segundo mandato, Manuel Paim, Presidente da Associação Portuguesa de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano (APSL), encontra-se focado e aposta na comunicação, que acredita ser um trunfo para elevar ainda mais o nome da raça nos quatro cantos do mundo.

EQUITAÇÃO - Assumiu em 2014 a presidência da APSL. Quais os principais desafios que se colocavam na altura e o que preconizava para o seu mandato?

MANUEL PAIM - Quando assumi a presidência da APSL existiam vários dossiers para os quais não me pareceu haver grande preocupação por terem sido resolvidos nos mandatos anteriores, como sejam o equilíbrio financeiro, a estabilização e regularização das dívidas por serviços prestados e o apoio ao desenvolvimento da Equitação de Trabalho. Mas outros pontos havia que nos propusemos a desenvolver, tais como uma maior aproximação com os sócios, através da organização de encontros subordinados a temas do interesse da criação, criar um maior equilíbrio financeiro por aumento de apoios no Festival Internacional do Cavalo Lusitano, resolução do problema da divida com a FAR, autorização para emissão pela APSL de DIE’s (Livros Azuis) de Lusitanos, analisar a necessidade de voltar a criar projectos de apoio à disciplina de Ensino, desenvolver o site através de uma melhoria no Stud-Book online e melhorar a comunicação e imagem do Cavalo Lusitano e da APSL.

Entretanto foi reeleito para um segundo triénio. Concorda que colocou a tónica desse mandato na formação e no diálogo, sobretudo com as diversas acções que promoveu para juízes, criadores, cavaleiros em diferentes áreas, como por exemplo para a avaliação no modelo e andamentos, no toureio, etc?

Como já referi, pretendíamos que houvesse uma aproximação entre a Direcção e os sócios, até porque a Associação é dos sócios. Nessas acções que levámos a cabo foi importante não só explicar e dar a conhecer a forma, o como e o porquê de as medidas de interesse da criação serem tomadas, mas também ouvir os criadores que pretendem colaborar aberta e frontalmente na resolução dos problemas, para todos podermos ajudar a Raça a evoluir.

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Em 2016, foi aprovada uma proposta da Direcção para alterações ao Regulamento do Livro Genealógico da Raça Lusitana. Porque sentiram a necessidade de fazer essas alterações e quais os benefícios que trouxeram à raça?

As alterações ao Regulamento do Livro Genealógico da Raça Lusitana que têm sido feitas ao longo da existência da APSL sempre têm tentado que as regras do nosso Stud-Book refl ectissem a evolução da raça adaptando-a às exigências, acima de tudo funcionais, para conseguir um maior crescimento e dispersão pelo mundo. Entre essas alterações, que foram feitas em quatro pontos e depois de ouvir os associados em reuniões realizadas por todo o país, está a criação do Título de Reprodutor Funcional. Este título foi criado para que animais que se destaquem a nível funcional nas disciplinas de Ensino, Toureio e Equitação de Trabalho, mas que tenham um modelo um pouco fora do Padrão da Raça, possam padrear, um número menor de éguas que o normal (10).

Nas aprovações de animais para o Livro de Reprodutores passou a ser feita uma avaliação linear através de uma tabela, denominada por Tabela Padrão. Essa análise é uma avaliação, tipo “fotografi a matemática”. Os itens do animal são assinalados na Tabela, sem se fazer uma avaliação, mas sim uma constatação (longo-curto, alto-baixo, horizontal- vertical, etc). Essa avaliação linear já é feita há algum tempo em quase todas as espécies zootécnicas, fornecendo aos criadores uma informação mais detalhada sobre as características dos seus animais e permitindo, ainda, depois de compilar os resultados dos produtos, saber como essas características foram transmitidas pelos progenitores à sua descendência. Neste momento estamos ainda numa fase de compilação de dados. Já temos cerca de 1800 éguas e mais de 500 garanhões e pretendemos, no final do ano, iniciar o estudo destes dados para os transmitirmos aos criadores.

Foi também aprovada a decomposição de alguns itens da Tabela utilizada para a aprovação de Reprodutores (cabeça e pescoço diferenciados; os três andamentos separados e os membros anteriores e posteriores também separados, sendo a nota de cada um destes itens obtida pela sua média). O objectivo desta separação é o de fornecer uma maior informação aos criadores/proprietários dos animais. Foi também feita uma adaptação dos critérios para nomeação do título de Reprodutor Recomendado à realidade actual das disciplinas e áreas equestres contempladas na atribuição desse titulo.

Em 2018, a APSL lançou o Projecto Cavalos Novos no Ensino, na linha daquilo que já tinha feito entre 2001 e 2011 com a treinadora alemã Martina Hannöver. Porque decidiram retomar esta aposta e quais os principais objectivos?

Depois dos bons resultados obtidos durante o Projecto Cavalos Lusitanos no Ensino, com a treinadora Martina Hannöver, e com a constatação de que muitos criadores de Lusitanos têm como objectivo criar cavalos para competir em Dressage, achámos por bem reactivar um projecto de ajuda ao treino de cavalos e cavaleiros nesta disciplina. Estabelecemos um acordo com a FEP e foi decidido que, para não interferir com o programa de apoio à disciplina aos conjuntos a nível internacional (São Jorge e Grande Prémio), iríamos organizar um Projecto para Cavalos Lusitanos Jovens no Ensino. Esse projecto tem como treinadora principal Kyra Kirklund e como treinadores nacionais Miguel Ralão Duarte e Daniel Pinto.

No início do ano, os conjuntos candidatos prestam Provas (Morfologia, Ensino, Prova Livre e Observados/Montados pelos treinadores) após o que os melhores ficam aprovados. Depois, os conjuntos apurados são divididos em dois grupos, distribuídos pelos dois treinadores com quem trabalham durante dois meses, ao fim dos quais é feita uma aula conjunta, aberta ao público. Nos dois meses seguintes os conjuntos trocam de treinador repetindo o processo. No final desse segundo período (em Junho) a treinadora Kyra Kirklund dá uma aula. Este método repete-se de Setembro a Dezembro.

Que balanço faz destes dois anos de projecto destinado aos cavalos novos?

Penso que o Projecto tem sido bastante positivo. As impressões transmitidas pelos envolvidos, cavaleiros e proprietários são muito positivas e estamos conscientes da evolução que os conjuntos registaram. Depois de um ano de aprendizagem também sentimos que os treinadores estão cada vez mais envolvidos com o Projecto e as alterações efectuadas ao longo do tempo têm sido muito positivas. Temos sentido o envolvimento da Federação Equestre, que tem manifestado agrado pelo desenrolar do mesmo.

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Nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 Catherine Durand-Henriquet apresentou-se com um cavalo Lusitano (Orfée) e mais tarde Guizo foi montado pelo cavaleiro espanhol Juan Antonio Jimenez e brilhou nos JO de Atenas em 2004. Acrescem agora os últimos resultados obtidos em competições internacionais de Dressage com os Lusitanos a atingirem notas acima dos 70% (80%, mesmo, com Maria Caetano e Coroado) culminando com a qualificação de uma equipa de quatro conjuntos para os JO de Tóquio em 2020. Era esta a trajectória esperada para a APSL relativamente ao desenvolvimento da Raça, sobretudo tendo um efectivo tão pequeno e até onde considera que possa chegar o cavalo Lusitano na competição?

Quando em 1996 a APSL iniciou a aposta no Ensino (ao dar prémios monetários aos conjuntos que, utilizando cavalos Lusitanos, se destacaram na Taça de Portugal), prosseguindo com o Projecto Cavalos Lusitanos no Ensino, as direcções da altura sempre apontaram para que o cavalo Lusitano pudesse vir a ter grande relevância nesta disciplina.

Se analisarmos o tipo de cavalo utilizado a nível internacional no Ensino vemos que nos últimos anos a aposta tem sido em animais mais ligeiros, onde o Lusitano se enquadra, em detrimento de animais mais pesados. Também os exercícios de concentração têm um maior coeficiente, o que pode beneficiar o nosso cavalo. Pensamos que, com a evolução nas técnicas de treino e na qualidade dos cavaleiros que utilizam o Lusitano, estamos a aproximar-nos das raças mais reconhecidas para a disciplina, como o comprovam os recentes resultados.

Também devemos realçar o facto da Raça Lusitana estar em sexto lugar do ranking de raças no Ensino (primeiro dos Livros “fechados”) e de, apesar do nosso reduzido efectivo, termos sido a segunda raça mais representada no Campeonato da Europa com nove animais, em igualdade de presenças com os Hannoverianos, apenas atrás dos KWPN (com 16 animais).

O Festival é o evento mais importante da raça Lusitana. Que importância considera que este evento tem entre os criadores e público em contraposição com aqueles que consideram que o certame não tem acompanhado os tempos e se mantém quase inalterado desde há 30 anos?

Concordo que temos de modifi car algo no Festival. Temos de chamar mais criadores e público tirando partido das excelentes condições do Hipódromo Manuel Possolo, que nos são facilitadas pela Câmara Municipal de Cascais e pela Associação de Turismo de Cascais.

Claro que temos de perceber que as condições ao longo desses trinta anos têm sido alteradas. Quando se realizou a terceira edição do Festival em 1991 (a partir de quando se passou a realizar anualmente) pouco mais havia que promovesse o Lusitano que a Tauromaquia e o Modelo e Andamentos. Por isso os criadores levavam ao Festival os seus melhores produtos, para que pudessem ser vendidos a preços compensatórios e essa ideia deu grande dinâmica aos Festivais. Por volta do ano 2000, quando o Lusitano começou a aparecer como cavalo funcional, os compradores deixaram de ser maioritariamente criadores (que adquiriam machos e fêmeas) e passaram a ser utilizadores que procuravam “produtos finais”.

Querendo a APSL manter no Festival o Modelo e Andamentos, as áreas desportivas tinham outro tipo de mostras, mais frequentes, onde os Lusitanos aparecem (provas desportivas). Tudo isso levou a que houvesse uma menor participação de concorrentes e também de público, nomeadamente nas provas em geral, pois nos espectáculos a afluência continua a ser grande. Tentámos aumentar o número de provas funcionais no programa, mas nem sempre os participantes aderem, pois já existe grande número de competições nos calendários nacionais. Por isso, acho que todos deveremos fazer um esforço para que o Festival Internacional do Cavalo Lusitano continue a ser o evento mais importante da Raça, atraindo cada vez mais público.  

Como estão as relações com as associações congéneres? Os resultados na Dressage e na Equitação de Trabalho têm constituído uma boa publicidade junto desses criadores estrangeiros, bem como elemento motivador para o esforço e investimento que fazem?

A relação com as associações congéneres é muito positiva. No último ano foi estabelecido mais um protocolo, com a República Checa, o que eleva para 20 o número de representantes da APSL fora de Portugal. Temos mantido anualmente reuniões do Conselho de Coordenação Internacional nas quais são debatidos assuntos de interesse da Raça, que cada vez mais se espalha por todo o mundo. Em 2018 foi também decidido que, anualmente, haveria uma associação estrangeira em destaque, durante o Festival Internacional do Cavalo Lusitano.

A Raça Lusitana, dados os bons resultados obtidos na área funcional, tem cada vez uma maior procura por utilizadores. Esse tipo de publicidade tem aumentado o número de vendas dos nossos produtos, não só os nascidos em Portugal, mas também em todo o mundo desde que seja garantida a qualidade dos mesmos.

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Para além das disciplinas desportivas, a APSL tem tido a preocupação de que o cavalo continue a ser testado e utilizado na tauromaquia. Continua a ser uma actividade diferenciadora para a raça e um mercado com potencial crescimento?

O cavalo Lusitano apresenta características únicas, que se devem em grande parte ao facto de num período da sua evolução ter sido seleccionado pelo toureio. Acreditamos que o Lusitano continuará a ser o cavalo de excelência para o toureio, com a consequente importância nessa área de mercado e na selecção da Raça. Nesta área também se estão a desenvolver novos mercados, nomeadamente na América Latina, pela importância dada actualmente ao toureio a cavalo naqueles países.

O Lusitano é uma marca que ultrapassou fronteiras. O que preconiza para a sua expansão?

Pensamos que é de grande importância a continuidade do trabalho que está a ser feito em conjunto pela APSL, no apoio ao crescimento da Raça; pelos criadores ao preocuparem-se em criar cada vez melhores produtos, e em dar-lhes visibilidade apostando em carreiras funcionais; e pelos utilizadores (proprietários e cavaleiros), por apostarem cada vez mais na Raça, para que o Lusitano possa ser cada vez mais reconhecido a nível mundial. Sabemos que, como em todas as raças, nem todos os animais são super-cavalos, mas temos que ter as “Bandeiras da Raça” nas diferentes disciplinas, para podermos promovê-la e ajudar a vender os Lusitanos médios, com a sua grande capacidade de adaptação às diferentes áreas equestres

Como dissemos no início, uma das áreas que nos propusemos desenvolver, mas que ainda não conseguimos chegar ao nível pretendido, é a comunicação. Neste momento estamos a preparar um acordo com uma empresa de Marketing e Comunicação, com a qual já trabalhámos com bons resultados durante o último Campeonato da Europa de Dressage, para podermos finalmente melhorar nessa importante área, que de certeza nos ajudará na promoção e crescimento da Raça.

Fala-se de Lusitanos de Desporto, de Lusitano Sport e até de Luso Warmblood, para que dessa forma pudesse haver um caminho diferente para a criação de cavalos mais vocacionados para a Dressage. O que pensa deste tema e o que defende relativamente ao que está inerente a estas denominações?

O Lusitano continua a ser uma raça muito versátil, mas que nos últimos tempos se tem caracterizado por uma cada vez melhor adaptação ao desporto, como demonstram os resultados obtidos. O nome “Lusitano” não deve estar em mais nenhuma Raça ou registo genealógico e não nos parece que este tipo de aproveitamento, tentado a partir do momento em que o nome passou a ser associado a uma raça em evolução, seja correcto. Quando constatamos que, ao longo do tempo, com um “Livro fechado”, nos fomos afastando de animais de sangue estranho à raça, não faz sentido abrirmos registos, utilizando a denominação “Lusitano”, para Livros que logo à partida permitem sangues estranhos a essa raça. Para isso já existem muitas outras raças e registos zootécnicos em todo o mundo.

Aliás, a possibilidade dada pelo Regulamento do Livro Genealógico de utilização de uma grande variabilidade de linhas permite aos criadores seguirem diferentes orientações na selecção dentro da Raça, que podem ser vocacionadas para as diferentes áreas (Toureio, Ensino, Modelo e Andamentos, Equitação de Trabalho, etc…), pelo que consideramos não ser necessário recorrermos a cruzamentos externos para obtermos bons resultados.

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Numa altura em que a criação parece estar voltada para a competição pode-se com isso perder alguma das características do padrão da raça e que são tão do agrado de cavaleiros amadores nacionais e internacionais (que montam mais por prazer, nas feiras, nos picadeiros em passeios, etc...) e que procuram o lusitano acessível na monte, de boa cabeça, mais de lazer?

Defendo que o cavalo Lusitano tem características de Modelo e Funcionalidade que são indissociáveis e que devemos preservar. Temos que criar Lusitanos com cada vez melhores peças funcionais (espáduas, dorsos, garupas e membros), tentando também manter ou melhorar a boa cabeça, mas mantendo sempre as características do nosso cavalo, que tem servido para cavaleiros amadores de desporto e lazer mas que também, e cada vez mais, se adaptam aos profissionais que os utilizam em competição.

O Regulamento da Raça Lusitana permite dar aos criadores linhas gerais de orientação, seguindo um Padrão da Raça, permitindo também que se mantenham as características morais e psicológicas do nosso cavalo, indispensáveis à continuação do seu sucesso. Com base nestas linhas orientadoras, os criadores são livres de dirigirem a sua criação conforme o seu gosto pessoal e os mercados que pretendem atingir (Ensino, Toureio, Modelo e Andamentos, Equitação de Trabalho, etc). Não podemos cair no erro de promover alterações com o fito de uma mudança rápida, num sentido único que nem todos querem, e que daqui a uns anos nos venham a fazer concluir que passámos a ter animais que não são nem bons Lusitanos, nem bons animais especificamente de desporto.

Quais são os países onde existe maior procura pelo Lusitano e quais são aqueles que podem vir a ser os emergentes?

Neste momento penso que, na Europa, a Alemanha e Espanha são os países onde há mais procura de Lusitanos, continuando a França a ser um mercado constante. Do norte da Europa e continente americano continua a haver procura. Para o resto do mundo continuam a sair Lusitanos, dependendo um pouco das restrições sanitárias que são impostas pelos diferentes países para a importação de cavalos. Os mercados emergentes (China e Países Árabes) podem vir a ter interesse na Raça. No entanto, tudo depende também das dificuldades por restrições sanitárias que nos estão a ser impostas mas que, juntamente com o Ministério da Agricultura, estamos a tentar ultrapassar.

É viável haver uma estratégia concertada entre a APSL e os criadores para uma disseminação do cavalo Lusitano no mundo ou a exportação é uma situação que deve ser feita apenas através da iniciativa individual de cada um?

Pensamos que, sendo a venda de Lusitanos um objectivo comum da APSL e criadores, poderá haver uma estratégia consertada que deveria também ter o apoio do Estado Português, visto o Cavalo Lusitano ser, sem dúvida, um produto de excelência do mundo rural português.

A nível individual a APSL deve, de um modo geral, promover a Raça no mundo. O Estado Português poderia ajudar nas negociações para ultrapassar as dificuldades burocráticas e sanitárias e englobando o Cavalo Lusitano nos dossiers prioritários das negociações com os diferentes países e os criadores devem apostar (alguns fazem-no cada vez mais) numa política de divulgação dos seus produtos, devendo também preocupar-se em criar bem.

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Qual o efectivo actual da raça lusitana no mundo?

A evolução do efectivo da raça acompanha um pouco a economia mundial. Até 2009 os nascimentos foram tendo um crescimento constante tendo nesse ano rondado os 3200 animais. Depois, com a crise, esses números foram decrescendo até termos tido cerca de 2000 registos. A partir de 2015 os números voltaram a crescer e neste momento estamos a sentir uma evidente retoma no número de nascimentos.

No passado da Associação existiram alguns “dossiers” mais polémicos que os seus antecessores tiveram que lidar e resolver da melhor forma possível, contudo, durante os seus dois mandatos viveram-se tempos mais calmos. No seu entender isso deve-se à sua personalidade, carácter e forma de liderar ou deixaram de existir divergências entre os associados?

Penso que houve várias condições que contribuíram para que os dois últimos mandatos tenham sido calmos. Os dossiers mais polémicos estavam quase todos resolvidos. O Regulamento do Livro Genealógico está feito de uma forma clara onde se tenta reduzir ao mínimo a possibilidade de atritos e o facto de termos tentado estar mais próximos dos sócios, promovendo acções em que sentíamos aproximação e trocávamos opiniões, ajudaram a que este período tenha sido calmo. Claro que críticas há-de haver sempre e, por vezes, é com elas que as instituições crescem, desde que feitas de forma justa, frontal e objectiva e não na sombra ou escondidas atrás de falsos objectivos, na maioria dos casos de alguém que nunca faz nada de relevante.

Em jeito de conclusão, na sua opinião, quais são os grandes desafios que a Raça tem para os tempos mais próximos?

Parece-me importante que a Raça continue a crescer, aumentando o número de nascimentos e a sua dispersão pelo mundo, que haja uma continuidade da aposta dos criadores em animais de qualidade através de uma política de selecção bem orientada e criteriosa, com objectivos bem definidos, a manutenção da parceria entre a APSL e Federação Equestre Portuguesa (para uma maior consolidação e evolução do nosso Cavalo no desporto a nível nacional e internacional). O aparecimento de cada vez mais Lusitanos a participar no desporto equestre é muito importante para a sua afirmação.

É importante manter o bom relacionamento com as associações estrangeiras para que as medidas de crescimento da Raça sejam seguidas e respeitadas em todo o mundo, mas também recebendo o «apport» dada pelos diferentes criadores no mundo. Também o Festival Internacional do Cavalo Lusitano deve tornar-se cada vez mais interessante chamando mais público, criadores e interessados em geral, nacionais e estrangeiros. Como já dissemos, pensamos ser muito importante dar finalmente o passo em frente na área de comunicação.

Autor:

Ana Rita Moura

anaritamoura@invesporte.pt

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