Artigos. 13 SET 2019

A Introdução à Competição

Na opinião de... Daniel Pinto #4


Tempo de Leitura: 7 min

No passado artigo abordamos as saídas de casa e a iniciação ao ambiente de provas como parte integrante do plano de treino do cavalo. Quando este já demonstra estar numa zona de conforto ao sair de casa, começamos a pensar que está na altura de iniciar a competição! É exactamente este o tema desta edição, em que iremos aprofundar a estratégia da introdução à competição.

São várias as questões dos meus alunos nesta fase: Quais os objectivos a que me devo propor? Qual o nível em que devo competir e em que tipo de provas me devo inscrever? Como gerir o meu cavalo no aquecimento e durante a prova? E que aprendizagens retirar dos resultados alcançados para continuar a melhorar para o futuro?

Introdução à competição: Estaremos preparados?

A iniciação à competição é encarada, pela maioria dos cavaleiros e proprietários, como um teste à qualidade do trabalho que o binómio realiza no dia-a-dia. Por isso, os sinais importantes que nos dizem que estamos prontos para competir são muitos. Se o binómio tiver resultados positivos na execução do plano de treino e de trabalho sugerido nos artigos anteriores, a iniciação à competição pode ser encarada positivamente.

Como escolher nível para o meu cavalo?

Quando saímos pela primeira vez em competição é necessário ter em consideração alguns pontos que, na minha opinião, são de extrema importância para idealizar e obter um bom resultado. Assim, a escolha do nível de prova a que nos propomos é fundamental.

Sabendo que a maioria dos cavalos sai da sua zona de conforto quando está em ambientes diferentes e, por consequência, a capacidade de concentração e de resposta às ajudas do cavaleiro sofrem alguma variação, a escolha do nível de prova aconselhável é aquela que em casa conseguimos executar sem qualquer tipo de difi culdade. Assim, a zona de conforto do cavaleiro e do cavalo serão fáceis de atingir, o que permitirá demonstrar aos juízes uma prova agradável de se ver e transmitir ao cavalo memórias positivas do sair de casa para competir.

No entanto, em casos em que a intenção é subir de nível, muitas vezes o cavalo e cavaleiro estão ainda em fase de aprendizagem, o que irá obrigar a sair um pouco da sua zona de conforto, mas em que a própria dificuldade da competição irá ser essencial para a alcançar os objectivos de evolução. Assim, também a competição deve fazer parte da educação do binómio, permitindo aferir quais são os nossos pontos fracos e fortes. Neste tipo de situação a ajuda do coach/treinador e a opinião dos juízes são essenciais para delinear a estratégia de competição e, sempre que necessário, ajustá-la.

Na opinião de.. Daniel P 

A estratégia em prova

Definido o nível a competir, importa também ter uma estratégia a seguir no dia da prova, que deve começar sempre por ter bem presente o objectivo que queremos alcançar e a noção de que a competição nesta fase inicial é um instrumento que faz parte integrante do nosso plano de treino.

É fundamental que o coach e o cavaleiro tenham objectivos bem traçados sobre o que querem alcançar em prova e não se desviem desse plano. Na minha opinião, e o que transmito aos meus alunos, é que o nosso foco será sempre conseguir repetir em prova o que conseguimos fazer em casa: pode parecer um objectivo pouco ambicioso e fácil de atingir, mas que não é assim tão linear.

Na fase inicial do treino do meu cavalo em contexto de competição tento sempre obrigar-me a definir três ou quatro exercícios que devem ser executados sem erros: o alcance deste objectivo torna-se o meu foco e, uma vez bem conseguido, permitiu-me alcançar o pretendido nessa prova. Mesmo que o resultado não seja o melhor, ou que outros erros tenham surgido, para mim, o resultado será positivo, pois o meu foco, nível de concentração elevado, e determinação a fim de conseguir o que foi estabelecido terá sido alcançado.

Ora, numa seguinte prova escolherei três ou quatro exercícios diferentes tentando alcançar um resultado positivo nesse novo objectivo e assim sucessivamente, concurso após concurso, até verifi car o quanto sou efi caz nos exercícios obrigatórios, até que consiga elevar o nível de concentração, exigência e capacidade de execução sem erros em todos os exercícios da mesma prova.

Também o controlo do cavaleiro é essencial para cumprir este objectivo: muitas vezes não conseguimos, no imediato, estar em sintonia com o cavalo e com a própria prova. Neste caso, o importante é manter a frieza e gerir o stress, superando com a nossa capacidade técnica e com a consciencialização de que executámos os exercícios em casa, com naturalidade e bem conseguidos, factor esse que deve estar sempre presente de modo a estarmos confi antes na competição. Este espírito positivo do cavaleiro deve ser trabalhado e reforçado, sendo que a experiência adquirida em pista é fundamental para a evolução positiva e crescimento continuo dos atletas.

Fotos: Rita Fernandes/Lusitano World

Autor:

Daniel Pinto

equitacao@invesporte.pt

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