Dressage. 27 MAI 2019

Roberto Brasil tem novos projectos

Depois de cinco anos sedeado nos Estados Unidos da América, Roberto Brasil regressou a Portugal e abraçou uma série de novos projectos.


Tempo de Leitura: 8 min

Encontrámos Roberto Brasil na etapa da Rota Lusitana da Coudelaria de Alter, onde o cavaleiro nos informou que estava de regresso e que tinha novidades. Entre as várias viagens que tem feito, com trabalhos em diferentes países, conseguiu arranjar um tempo para responder às nossas perguntas.

Que balanço faz dos anos em que esteve sedeado nos EUA?

O balanço penso que foi bastante positivo, foram cinco anos de muito trabalho e de muito sacrifício. Não é fácil estar longe da nossa terra, da família e dos amigos tanto tempo, mas valeu a pena. Tive a oportunidade de montar com grandes cavaleiros, com grandes treinadores do mundo inteiro e fiz muitos contactos importantes para a minha vida. Tive a oportunidade de montar cavalos extraordinários, de competir no Global Dressage Festival (maior festival equestre do mundo) cinco anos seguidos e com diversos cavalos. Competi de norte a sul e ganhei uma experiência e uma rodagem que não teria acontecido na minha vida se não tivesse ido para os EUA.

De que forma evoluiu enquanto cavaleiro?

Evolui como cavaleiro em diversos sentidos. A Piaffe Performance tinha uma doutrina muito alemã, e a maioria dos treinadores com quem montávamos ou eram da Alemanha ou tinham lá estado. Evolui muito tecnicamente, quando fui para os EUA o nível máximo que tinha competido era Intermediária 1, nos EUA tive a oportunidade de desenvolver e competir em Grande Prémio a Whoopie Gold. A Whoopie e eu fomos parceiros durante cinco anos, crescemos juntos, competi com ela desde as provas de Cavalos Novos, até Grande Prémio. Quem a conhece sabe o quão difícil ela era, mas eu não trocava a Whoopie por cavalo nenhum no mundo, fomos companheiros desde o primeiro dia, ela lutava por mim e eu lutava por ela. Juntos conseguimos fazer no ano passado dez GP no circuito americano, com a nossa nota mais alta a bater os 73%. Durante este tempo nos EUA tive a oportunidade de montar diariamente uma serie de cavalos de GP que me ajudaram a desenvolver a técnica que tenho hoje. Não é fácil encontrar um sítio com tantos cavalos com a qualidade que se encontrava na Piaffe Performance. Entre eles o Van the Man, um cavalo que foi montado na Europa pela Dorothee Schneider e mais tarde pelo Cesar Parra na final da World Cup em 2014. Embora a oportunidade de o competir tenha sido sempre adiada, aprendi muito com ele, montei o Van um ano e meio todos os dias e é um cavalo que ficará sempre na minha memória. Tenho ainda muito para aprender mas a Piaffe Performance é sem duvida alguma um capítulo muito importante da minha vida.

Whoopie Gold

Porque é que decidiu regressar a Portugal?

Tinha saudades de casa e da família, esta foi a principal razão. Mas o ano passado tive uma temporada fantástica, talvez a melhor da minha carreira até agora. Fiz dez GP com a Whoopie, 12 provas FEI5YO com a Fürstin P, pontuei nove vezes acima de 80%, competimos no Festival of Champions, recebemos a medalha de ouro de mérito da Federação Equestre Americana, e terminámos n.º 2 do ranking nacional dos EUA. Senti que melhor que isso ia ser difícil fazer e que era a altura certa de sair e assim o fiz. Como consequência da temporada de 2018 apareceram uma série de novas oportunidades e resolvi avançar com novos projectos.

Fürstin P

E quais são?

Os meus projectos passam por várias entidades e fiz uma série de parcerias que foram importantes. A parceria com FC Porto continua durante esta temporada de 2019 e esperemos que por muitos mais anos, a Celeris e o Mundo da Equitação também continuam no meu grupo de patrocinadores. 

Assinei com a coudelaria Vila de Sagres no Brasil, numa parceria exclusiva para competir os cavalos deles. 

O Carlos Lopes passa a ser o meu treinador oficial desde Janeiro deste ano. O Carlos já me tem vindo a ajudar ao longo dos últimos anos com a Whoopie e agora com esta mudança tenho a oportunidade de treinar com ele a tempo inteiro e estou muito feliz por isso. Ele tem-me ajudado imenso, é um grande treinador e um grande amigo. 

Fiz uma parceira também com o Aitor Bravo, um cavaleiro espanhol meu amigo e em conjunto com ele criámos a HorsePrime. E fiz uma parceria com uma cliente do Porto na aquisição de alguns cavalos. Na minha equipa tenho também a Sílvia Teixeira, que é a designer portuguesa responsável pela nova casaca do FC Porto com que tenho competido, e será ela que daqui em diante fará a produção das minhas casacas.

Fale-nos um pouco da sua quadra.

Na minha quadra tenho uma seérie de cavalos novos, alguns de idade e outros que são novos comigo. Tenho nos cinco anos o garanhão Lusitano Júnior Rubi, que é um cavalo da minha propriedade e em quem acredito bastante. Já competi com ele este ano no CDI de Alter, onde pontuámos 79,6%, muito perto dos 80%, e competi também com ele no CDI da Companhia das Lezírias. Tenho para competir este ano também um cavalo de GP que vou estriar em breve. É um cavalo muito experiente e tenho a esperança de aprender com ele o máximo que puder. Estes serão os dois cavalos com que vou competir para já. 

Mais para o final do Verão tenho uma série de cavalos novos que vou começar a competir, mas eles ainda precisam um pouco mais de tempo. Entre eles o Hércules, um Puro Sangue Lusitano da criação de Francisco Bessa de Carvalho. O Hércules é talvez o melhor cavalo que montei na vida, e tenho muita esperança nele, mas ele precisa de tempo e eu não tenho pressa nenhuma. Vou levar o meu tempo com ele, mas é sem duvida um cavalo a sério para o futuro. Tenho dois cavalos na Bélgica em treino, dois garanhõess de três anos. Um é o Victory Prime, que é filho do Vitalis, e com o qual vou competir. Tenho outro, filho do Rock Amour, que vai ser competido pelo meu sócio, o Aitor. Para além destes cavalos tenho mais dois poldros na Alemanha, fruto de parcerias, um filho do Vitalis e uma filha do Zack, mas ainda são muito jovens e estes não serão para este ano.

 

Hércules d

Quais as expectativas para esta temporada e principais objectivos?

Esta temporada é de transição, muita coisa aconteceu e tudo na minha vida neste momento, inclusive os cavalos, é novo.

Este é um ano para conhecer e para explorar todos estes novos projectos que tenho na minha vida. Vou levar o meu tempo e fazer as coisas com calma. Tenho um grupo de cavalos extraordinário, tenho sócios que me apoiam e estão lá para mim para o que for preciso, e tenho um treinador fantástico, o resto o tempo o dirá. Não quero criar expectativas de coisas que ninguém sabe se vai acontecer, levar um dia de cada vez e estar grato a Deus por tudo o que me esta a acontecer e por todas estas oportunidades maravilhosas que se cruzaram no meu caminho logo após ter saído da Piaffe Performance. Neste momento a minha única preocupação é gozar estes cavalos fantásticos que estou a montar.

(Fotos do Júnior Rubi: Rui Godinho/cedidas pelo cavaleiro)

Júnior Rubi_1

Autor:

Carla Laureano

carlalaureano@invesporte.pt

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