Frederico Pinteus. 15 MAI 2019

COMO ENTRAR EM PISTA E CAUSAR BOA IMPRESSÃO

Saiba o que (não) deve fazer


Tempo de Leitura: 4 min

entrada_aurelio

Como juiz (3*), verifico com frequência que existem “erros” típicos na execução dos exercícios que compõem uma reprise, que não estão relacionados com a qualidade do cavalo mas com a desatenção do cavaleiro.

Nas próximas edições vou tentar mostrar aos praticantes de Dressage o que um juiz avalia em cada exercício e a atenção que devem ter na sua execução para não perderem pontos desnecessariamente.

Começo pelo exercício inicial de qualquer reprise: a entrada em pista.

Na entrada o juiz avalia a qualidade do andamento (galope/trote consoante a prova), o equilíbrio da transição até à paragem, a imobilidade, a imediata transição da paragem ao trote e respectivo equilíbrio, a qualidade do trote e a rectitude.

O rigor com que o cavaleiro executa a “Entrada” transmite ao juiz uma primeira impressão sobre o nível de cavaleiro que temos em pista, daí ser importante causar um impacto positivo, pois como se costuma dizer, “só temos uma hipótese de causar uma boa primeira impressão”.

 

Erros comuns neste exercicio que fazem perder pontos (desnecessariamente):

1. A TRAJECTÓRIA

Na entrada em pista verifico com frequência cavaleiros a afastarem-se da linha do meio (A - C). Este desvio de trajectória é evidente para o juiz que se encontra em C, pois a letra A funciona como ponto de referência. Também a paragem em X (na letra) é um factor importante e igualmente evidente para os juízes das letras B e E. De igual forma que após a paragem, na aproximação à letra C, não devem deixar o cavalo “descair” para um lado para então tomar a pista para o outro lado.

Dica: manter sempre o olhar na letra C e não esquecer que o exercício só termina no final da linha do meio. 

 

2. ANDAMENTO “LENTO” ANTES DA PARAGEM

Alguns cavaleiros optam por entrar em pista reduzindo muito o “tempo” do andamento (quase em slow motion) para, assim, facilitar a transição à paragem - “(...) se o andamento for muito concentrado a paragem será mais fácil.” Embora esta questão esteja mais ligada ao treino/estratégia para conseguir uma boa paragem, importa não esquecer que o andamento antes da paragem também é avaliado neste exercício.

Dica: não reduzir o “tempo” do andamento muito cedo.

 

3. IMOBILIDADE

Há cavaleiros que durante a paragem fazem um movimento para “ajeitar” a casaca, a sua colocação na sela, etc. levando o cavalo a mexer-se. Como referido, a imobilidade é avaliada e se o cavalo se mexe na paragem há pontos que se perdem desnecessariamente.

Dica: assegurar a imobilidade evitando movimentos desnecessários (ex: a “ajeitar” as pernas/casaca/capacete).

 

4. TRANSIÇÃO DA PARAGEM AO TROTE
A transição da paragem ao trote deve ser imediata, ou seja, a primeira passada após a paragem deve ser a trote. As transições progressivas (1, 2, 3 passadas a passo), implicam perder pontos. Outras vezes verifi camos que após a paragem existem cavaleiros que optam por avançar num trote “muito energético”, quase trote médio! Uma vez que, dependendo das provas, o trote após a paragem deve ser de trabalho ou concentrado, este excesso demonstra falta de concentração e, consequentemente, perda de pontos.

Dica: seja disciplinado e assertivo. A primeira passada após a paragem deve ser imediatamente a trote, sendo este concentrado ou de trabalho, mas nunca médio.

Autor:

Frederico Pinteus

equitacao@invesporte.pt

QUER SABER MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO?

Insira o seu e-mail e receba todas as novidades