Dressage. 09 MAI 2019

CAVALOS NOVOS: O FUTURO DA RAÇA

Está em marcha o projecto da Associação Portuguesa de Criadores de Cavalos Lusitanos (APSL) que visa contribuir para a formação internacional de cavalos novos de raça lusitana. Lançado em 2018, tem actualmente 18 conjuntos a participar.


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A iniciativa, que conta com o apoio da Federação Equestre Portuguesa (FEP), destina-se a lusitanos que em 2019 tenham 4, 5, 6 ou 7 anos e pretende proporcionar a criadores e cavaleiros a possibilidade de preparar progressivamente as suas montadas, com o auxílio dos olímpicos Daniel Pinto e Miguel Ralão Duarte, sob a responsabilidade técnica de Kyra Kirklund.

Chama-se «Projecto Cavalos Novos no Ensino» e já não é uma novidade para a APSL, que entre 2001 e 2011 promoveu uma acção semelhante, com Martina Hannöver. De acordo com o Secretário-Geral da associação, João Ralão Duarte, “a Direcção, na altura, considerou que se tinham atingido os objectivos inicialmente traçados e fez-se uma paragem”. Agora, a ideia é que seja criado “um mecanismo adicional de selecção funcional de cavalos lusitanos com potencial desportivo, ajudando ao alargamento da base de cavalos com visibilidade pública”, explica. Findo o projecto, os binómios devem estar aptos a “dar sequência a este trabalho no treino promovido pela FEP, para conjuntos que participem internacionalmente em provas de nível S. Jorge e Grande Prémio (GP)”. O apuramento é feito através de três provas: Avaliação Morfológica (julgada pelos juízes da raça com os animais apresentados à mão – 10%); prova de Ensino, adaptada à idade do cavalo (julgada por juízes oficiais FEP – 25%); e prova livre (30%). É ainda feita uma avaliação pelos treinadores Daniel Pinto e Miguel Ralão Duarte, que montam os animais (35%). Aos binómios é também solicitado que participem em provas oficiais de Ensino, preferencialmente da Taça de Portugal, a indicar pelos treinadores.

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EQUIPA DE LUXO

Escolhidos os lusitanos que integram o projecto (actualmente 18), os conjuntos trabalham durante dois meses (quatro aulas) com um dos treinadores, fazendo depois igual período com o outro. O ano terá dois ciclos de quatro meses (Janeiro, Fevereiro, Abril e Maio e depois Julho, Setembro, Outubro e Novembro) e a meio de cada um há uma aula aberta ao público. A primeira foi no Centro Hípico da Quinta da Marinha, a 6 de Abril e a segunda terá a presença de Kyra Kirklund, em local a definir. Está também prevista uma concentração pública de apresentação do projecto, com a participação da treinadora, no final de cada quatro meses. O responsável da APSL esclarece que a escolha da finlandesa se prende “com a sua experiência e bons resultados já obtidos com os vários cavaleiros e equipas que tem treinado”. 

Já Miguel Ralão Duarte considera “muito importante estar agora do lado do treinador, neste projecto da APSL/FEP, ainda por cima com o Daniel e com a Kyra, pois participei durante vários anos como aluno e sei a importância que esta ajuda pode ter no evoluir dos conjuntos, do ponto de vista do cavaleiro”. O treinador sublinha a importância da relação “de proximidade profissional e pessoal” com Daniel Pinto, que “nos permite interagir e complementarmo-nos facilmente. A Kyra Kyrklund - com quem eu e o Daniel trabalhamos - confere uma solidez de doutrina a todo este projecto”. 

Opinião partilhada por Daniel Pinto, que revela ser “uma honra participar num projecto com tão distintos cavaleiros e treinadores. Acredito que todos estamos de olhos postos no futuro, em prol da evolução do cavalo Lusitano no panorama internacional de Dressage”.

Sendo o número “ideal de conjuntos de vinte (dez por treinador)”, segundo a APSL, a cada ano haverá novas provas de apuramento e não é garantida a continuação dos conjuntos no ano seguinte.

Dos oito que transitaram do ano anterior, Daniel Pinto acredita que “todos mantêm uma evolução muito positiva e, uma vez que cada cavalo é um caso único e singular, é natural que alguns tenham amadurecido mais rapidamente do que outros. Cada qual tem os seus pontos fortes e a melhorar, pelo que é importante analisar binómio a binómio e traçar um plano de treino adaptado às suas características”. Sobre quantos chegarão efectivamente ao nível de GP, Miguel Ralão prefere uma resposta pragmática: “A minha perspectiva é escolher o trabalho a fazer com cada um, para chegar ao GP com as melhores performances possíveis. Projectar os que chegarão ou não (e com que tipo de resultados) seria romancear aquilo que pretendemos que seja um trabalho o mais objectivo possível”. E Daniel Pinto corrobora: “É um nível extremamente exigente e difícil de alcançar e não depende só da qualidade do cavalo ou do cavaleiro – cabe a cada um interpretar a sua montada para a ajudar a ultrapassar as várias difi culdades. Mas é essa conquista e o acreditar diário de que amanhã podemos fazer melhor que nos motiva a todos, como cavaleiros e treinadores, a crescer de dia para dia”. 

A próxima concentração pública, com a participação de Kyra Kirklund, vai decorrer durante o Festival Internacional do Lusitano, em Junho.

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Autor:

Cátia Mogo

catiamogo@invesporte.pt

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