Corridas. 26 ABR 2019

Ricardo Carvalho em entrevista

Com mais um Campeonato Nacional de corridas a decorrer, mas ainda sem apostas hípicas, a EQUITAÇÃO conversou com Ricardo Carvalho, Presidente da Liga Portuguesa de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida (LPCPCC)


Tempo de Leitura: 6 min

EQUITAÇÃO - O Campeonato Nacional estava previsto começar a 17 de Março, na Maia, o que não veio a acontecer, com a 1.ª jornada, a 31 de Março, em Felgueiras. Quais as expectativas para a competição deste ano?

RICARDO CARVALHO - O objectivo da Direcção, à qual presido, é dar continuidade ao trabalho que tem vindo a ser realizado em prol das corridas de cavalos em Portugal, estando  actualmente a aguardar que a Santa Casa da Misericórdia (SCM) avance com o arranque das apostas em corridas de cavalos, tal como nos fora comunicado e, assim, se promova o desenvolvimento das corridas de cavalos em Portugal num futuro muito próximo.

A criação de uma escola para jóqueis e drivers e a formação profissional para treinadores, é outro dos temas em cima da mesa, perspectivando ainda com enorme espectativa, que este ano se promova o concurso público para a criação do primeiro hipódromo em Portugal, capacitado para a realização de apostas desportivas.

Muitas datas anunciadas pela Liga para o Campeonato não têm ainda competições marcadas, ou local atribuído (confira AQUI). O que falta para o calendário nacional, passar de provisório a definitivo?

Estamos a aguardar respostas de diversos locais para o qual nos fora solicitado a realização de provas, mas que ainda não reúnem todas as condições técnicas exigidas pela Liga, ou respectivo Prize Money.

GP Portugal de Fundistas

O calendário continua muito centralizado a norte do país. No passado tentaram fazer uma descentralização, com corridas em Alter, por exemplo. Porque não está a haver continuidade, ainda que em 2018, tenham surgido novos Hipódromos a receber provas (Celorico e Ponte da Barca).

A descentralização das corridas de cavalos sempre foi um dos objectivos da nossa Direcção. A não continuidade das corridas de cavalos em Alter do Chão deve-se ao facto do executivo da Câmara Municipal ter mudado, sendo que para o actual executivo não é opção, para já, apostar nas corridas de cavalos. Relativamente à Golegã, estamos em negociações para que se realize pelo menos uma prova no Centro de Alto Rendimento Hippus. Assim, não existindo mais hipódromos na região sul, não nos é possível promover mais provas nesta região.

O Hipódromo de Cabeceiras de Bastos é um hipódromo que pertence à Câmara Municipal de Cabeceiras de Bastos e este ano não está a optar pela realização de corridas neste hipódromo devido aos custos de manutenção elevados que a localização deste espaço acarreta.

Em Ponte da Barca estão já agendadas três provas, em Felgueiras seis e na Maia sete ou oito jornadas. Celorico de Bastos receberá uma prova.

Para além destas provas, a nossa Direcção tem vindo a reunir com outras entidades, como foi o caso, por exemplo, da Quinta das Lezírias. Temos ainda reunido com outros potenciais investidores privados para a realização de um hipódromos de dimensão internacional.

RICARDO CARVALHO (2)Como está o número de jockeys e drivers em Portugal? Têm vindo a aumentar?

Como já referi, uma das nossas preocupações é promover a formação de jóqueis e drivers.

Nos últimos anos conseguimos promover formação internacional aos nossos drivers, formação esta realizada em coordenação com a Le Trot. Na época passada, também capacitámos a nossa comissão técnica com formação promovida pelo Le Trot em coordenação com a Liga.

E ao nível da criação cavalar para corridas em Portugal. Qual o nível e qualidade, comparativamente com o resto da Europa?

A criação de cavalos para as corridas de cavalos é pequena em Portugal, essencialmente pela falta de incentivos. Apesar de a cada jornada criarmos provas reservadas a cavalos nascidos e criados em Portugal, os prémios são pequenos, não sendo suficiente de todo para fomentar a criação cavalar. Contudo, actualmente já temos vários cavalos de origem portuguesa com vitórias além-fronteiras, mas isto deve-se ao grande esforço financeiro levado a cabo pelos criadores nacionais.

GP Portugal de Fundistas

É este o ano das apostas hípicas urbanas? Qual o ponto da situação?

Tudo indica que sim. Como já várias vezes referi noutras entrevistas, as apostas em Portugal terão que iniciar com base em corridas realizadas no estrangeiro, resultando daí uma percentagem para o desenvolvimento das corridas em Portugal. Actualmente a licença para as apostas territoriais é detida pela Santa Casa da Misericórdia e para as apostas online por solicitação ao Turismo de Portugal.

Qual afinal, o modelo que será adoptado?

Nós continuamos a defender a implementação do exemplo francês, que é o que está a funcionar melhor em todo o mundo e é o que traz mais retorno para a fileira do cavalo. Este é o modelo aprovado na legislação de 2015.

Como se prevê que seja a relação/ligação entre a Liga e a Santa Casa da Misericórdia quando o processo estiver em marcha?

A relação entre as partes é muito cordial e as funções de cada entidade está prevista no Decreto-Lei n.º 68/2015. A Liga realizará a gestão das corridas de cavalos em Portugal, enquanto que a Santa Casa da Misericórdia realizará a gestão das apostas.

Quais os Hipódromos que estarão aptos a receber corridas com apostas? Em caso de obras, quando começarão?

Não temos em Portugal, neste momento, nenhum hipódromo capacitado para receber as apostas hípicas urbanas. Existem já vários projectos existentes de norte a sul, que aguardam o concurso público do Ministério da Agricultura.

Estamos convencidos que iremos ter um grande hipódromo logo que surgam as apostas. Como regere a legislação, serão construídos três hipódromos, um de cada vez e, um a centro, um a norte e outro a sul do país, promovendo assim o desenvolvimento económico e agrícola de todo o território. Segundo o estudo já realizado, o volume de apostas em corridas de cavalos poderá rondar os 300 milhões de euros.

RICARDO CARVALHO (4)

Autor:

Ana Filipe

anafilipe@invesporte.pt

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