Alta Escola. 21 MAR 2019

ESCOLA PORTUGUESA DE ARTE EQUESTRE

Por Cor. José Miguel Cabedo


Tempo de Leitura: 9 min

Nunca é demais falar da Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE) não só pelo que a Escola significa mas pelo excelente trabalho que tem sido desenvolvido, guindando-se a um patamar a todos os títulos extraordinário. Em 2019, comemora 40 anos.

O Dr. Bruno Caseirão, colaborador da nossa Revista, escreveu dois interessantíssimos artigos, um em 2016, edição n.º 63, e outro em 2009, edição n.º 80. Principalmente no segundo, o autor sublinhou alguns pontos de que falarei mais tarde.

A EPAE foi fundada em 1979 com a finalidade de promover o ensino, a prática e a divulgação da arte tradicional portuguesa. Recupera a tradição da Real Picaria, academia equestre da corte portuguesa do Séc. XVIII. Assim, como diz Dr. Filipe Graciosa, foi Torquato de Freitas (foto em baixo), o responsável pela concepção do traje actual utilizado na Escola.

03 Eng.º José António Torquato de Freitas

Voltando agora ao princípio da minha escrita, e retomando o escrito do Dr. Bruno Caseirão, em 2009, devo dizer que em 2018 se virou uma página importante na vida da EPAE. Pela primeira vez um elemento feminino integrou o carrossel da Escola. Foi a Ajudante de Picador Mariana Boavida, que estava impante de alegria, no final da Gala Real, que teve lugar a 31 de Agosto de 2018.

Outras sugestões do Dr. Bruno Caseirão, ainda não se concretizaram e é pena porque são cheias de pensamentos positivos, em benefício da EPAE, como forma de lhe dar o valor que merece, assim como aos seus cavaleiros – dos fundadores aos actuais – e ao cavalo Alter Real. 

E para quando a realização do grande sonho, o de voltar ao Picadeiro do Palácio de Belém? Agora a EPAE já tem instalações que nunca teve e que lhe permitem exibir todo o seu potencial. Mas o Picadeiro do Palácio de Belém ficaria para quando acontecerem visitas de Estado de Países que apreciem a arte equestre, mais propriamente a Arte Tradicional Portuguesa, que assim seria mais divulgada.

Há anos que se fala neste assunto e a resistência à sua concretização é sempre baseada no facto de o sal, que se empregava no piso do picadeiro acompanhado de areia e serradura, iria prejudicar as pinturas do tecto e das paredes do picadeiro. Mas os tempos mudaram, evoluíram para melhor e hoje em dia os pisos já não têm sal na sua composição. Poderão as entidades responsáveis pensar neste assunto?

Ouvi falar em tempos que o pavilhão ficaria para congressos (?) mas não há outros que sirvam? Picadeiros como o de Belém é que não há! É um dos mais bonitos da Europa! Seria o nosso cartão de visita para quem nos procura. E ficariam maravilhados.

E que tal activar a memória de alguns que se têm feito distraídos: por resolução de Conselho de Ministros a 17 de Junho de 1998. “…A reactivação do Picadeiro Real, através da reconversão do actual local do Museu (Museu dos Coches), e a reabilitação do espaço das antigas Cavalariças Reais, designadamente para instalação e treino diário da Escola Portuguesa de Arte Equestre.”

Caiu em saco roto? A resolução do Conselho de Ministros ficou na gaveta? Mais uma! A EPAE é um património cultural a preservar, e um património Europeu do Séc. XXI reconhecido internacionalmente, assim como as Escolas de Arte Equestre de Viena, Saumur e Jerez!

01 GARUPADA

Para terminar vou falar de um tema no qual não sou versado nem diplomado: Ares Altos (alguns). No entanto, como sei ler, socorro-me dos escritos de quem sabe, e muito, sobre este assunto:

Saltos de escola (ares altos)

Mas para além dos andamentos naturais e artificiais ou estilizados, envolvendo sempre um certo sentido de progressão efectiva ou potencial, existem outros exercícios com muito maior sentido de elevação do que progressão, os chamados ares altos ou saltos de escola, antigos exercícios de exibição artística (circense e também académica) que ainda hoje se praticam em algumas escolas e academias equestres tal como nos circos, como sejam entre outros:

a garupada,

a cabriola e

- a curveta.

Estes ares resultaram e são, no fundo, a estilização por ensino de picadeiro, em tempos de paz, de gestos e atitudes de defesa instintivos dos cavalos quando, com os seus cavaleiros, se viam cercados pelo inimigo nos campos de batalha que, durante os séculos XVII e XVIII, caracterizavam a história da Europa.” (in “A Equitação Elementar – a Caminho da Complementar”, texto de Joaquim Arnaut Pombeiro e ilustrações de Manuel Pedro Peig Dória que, gentilmente, as adaptou para este artigo, para uma melhor percepção dos mesmos).

Não ficaria bem terminar sem falar nos grandes mentores do projecto da EPAE. Para o Dr. Ruy d’Andrade, Nuno de Oliveira, Eng.º Fernando Sommer d’Andrade, D. José Athayde, Dr. Guilherme Borba, Francisco Cancella de Abreu, Dr. Filipe Graciosa, Torquato de Freitas e os actuais António Borba Monteiro, João Pedro Rodrigues (actualmente Mestre Picador Chefe), Francisco Bessa de Carvalho e tantos outros, recentes cavaleiros, o nosso reconhecimento pelo esforço e saber que os levou a concretizar o grande sonho da recriação da Picaria Real do Séc. XVIII.

02 CORVETA

Nota: Na última sexta-feira de cada mês, excepto Dezembro, pode assistir às Galas da EPAE e viver a magia da recriação histórica de uma noite passada na corte portuguesa do Séc. XVIII. De terça-feira a sábado na parte da manhã pode visitar no Picadeiro Henrique Calado (na Calçada da Ajuda), envolvido pelos acordes musicais, a preparação dos exercícios e coreografias da Arte Equestre Portuguesa que recriam o ambiente de encanto que se vivia na corte portuguesa no Séc. XVIII.

In Revista Equitação n.º 135, Jan/Fev 2019

Autor:

José Miguel Cabedo

equitacao@invesporte.pt

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