Raides. 11 JUL 2018

MANUEL ESPREGUEIRA MENDES VS MONGOL DERBY (07)

Falta menos de um mês!


Tempo de Leitura: 7 min

Junho, é a fase final da preparação dos cavaleiros que irão participar na décima edição do Mongol Derby. Para mim, foi o mês da última oportunidade que tive para competir, no raide de Rio Frio.

Cheguei ao raide em pico de forma. Todo o trabalho físico que tenho desenvolvido atingiu um ponto alto no fim de Junho, que agora se trata de manter até o Derby. As horas de esforço que me trouxeram a este ponto são agora incontáveis.

Um exemplo de um dia de treino: começa às 6h30h, para às 7h15 estar no ginásio para a primeira aula de bicicleta, que é o aquecimento, onde queimo 600-700 calorias se for uma aula de nível 2 e 1000 e pouco se for de nível 3. No fim dessa aula há alongamentos, que não faço, para chegar a tempo à aula de abdominais. Esta dura 15 minutos mas é muito eficaz, já que não há descanso.

Entre as 8h30 e as 10h faço máquinas no ginásio, sobretudo pernas e costas, mas também o resto do corpo, que complemento na aula de força, das 10h às 10h45. Nova aula de abdominais até às 11h, uma hora de pausa em que aproveito para comer qualquer coisa e correr na passadeira. Ao meio dia nova aula de bicicleta, duche e volto a casa para almoçar.

Este é o primeiro grande desafio do dia: manter-me activo, para não me dar a quebra depois do almoço, sair de casa o mais rápido possível, e ir para os cavalos, onde passo a tarde toda até às 19h30, a montar dois cavalos ou três cavalos.

Dias como este repetem-se 4 vezes por semana. Nos outros, em vez da rotina matinal que acabei de descrever, posso ter um treino com o Paulo Morais, meu personal trainer, ou ir e voltar a correr para os cavalos, num percurso total de 10km. A tudo isto soma o descanso, que também é muito importante, já que é preciso evitar lesões, mas já vou sabendo ouvir bem o meu corpo.

Esta rotina forte no ginásio é indispensável por um lado, mas só me vai ajudar até certo ponto por outro já que, tendo falta de cavalos para fazer treinos longos, as dores nos músculos específicos que utilizamos a montar vão ser incontornáveis.

Foi nesta forma que cheguei a Rio Frio. Como combinado, iria montar mais uma vez o G-Bangsar, criação da coudelaria Alfouvar Arabians e gentilmente cedido pela Nogueira Endurance Team, no nosso segundo raide de qualificação de 40km. Inspecção veterinária feita, partimos em equipa, o Fernando Nogueira montado no Millenium, também um produto da coudelaria Alfouvar.

O raide é um espanto. Passa-se por arrozais, por manadas de vacas, saltos de completo. Tive a sensação de o cavalo estar já pronto para fazer 80km, de tal forma sobrou cavalo no fim da prova.

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Desta vez, ficou o Fernando em primeiro e eu em segundo, numa prova que foi imprescindível para a minha preparação. Quero agradecer a simpatia e a força daqueles com quem por lá me cruzei e que me desejaram boa sorte. A curiosidade em virem perguntar como estavam a correr os preparativos e o interesse em querer saber onde podiam acompanhar a corrida (partilharei o link que permitirá seguir o Derby em directo, assim que estiver disponível, na minha página do Facebook).

Tem sido um longo caminho, que me trouxe a este momento: a menos de um mês de embarcar naquela que será a maior aventura da minha vida.

Voo comprado, seguirei a 29 deste mês com destino a Ulan Bator, capital da Mongólia, onde aterro dia 30 via Frankfurt e Pequim.

Terei então 6 dias para me adaptar ao horário (mais 7 horas) e à altitude e conhecer a capital antes de partirmos dia 5 de Agosto para a estepe, onde teremos 2 dias de formação e treino. Dia 8 soará o tiro de partida da maior e mais dura corrida a cavalo do mundo.

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Há tantas coisas para tratar no meio dos treinos, que muito honestamente ainda não tive tempo de sentir grandes nervos. Emails, tratar do seguro, do visto, do material, de marcar consultas, de marcar o hotel, e mais email para trás e para a frente....!!! Mas evidentemente, nas paragens, no ocasional jantar com amigos e quando a sensação de estar numa missão se dissolve, às vezes viajo e estou na estepe. Há uma cortina que me separa dos meus amigos, que é invisível mas eu sinto-a. Por mais que se envolvam, por mais que vibrem por mim e me dêem conselhos, estarei só eu a fazer aquela prova, pelo que tenho de ser sempre eu a guiar este barco. Esses são os momentos de alguma ansiedade, ou por outra, de me focar e relembrar de que por mais ajudas que tenha, por mais apoios e incentivos que receba (que sabem bem a qualquer um), estou nisto totalmente sozinho. Mas, para bem do equilíbrio da tal balança, todo o resto do tempo a sensação é a de estar a cumprir um sonho.

Como tenho vindo a referir em cada crónica, cada cavaleiro tem de angariar um mínimo de 1000 libras para beneficiência até Outubro, divididos por duas instituições de beneficência. A instituição oficial da prova é a Cool Earth, que trabalha para combater o desflorestamento em florestas em risco. Eu escolhi apoiar as vítimas dos incêndios do ano passado, para o qual criei um fundo onde cada um poderá dar a sua contribuição, que por mais pequena que seja é sempre uma ajuda. Qualquer bebida na noite nos leva 5€, façamos com que estes 5 vão para ajudar alguém!

Voltarei a escrever-vos, já da Mongólia. Até lá!

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Autor:

Manuel Espregueira Mendes

manelespregueira@hotmail.com

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