Revista Equitação. 10 MAI 2018

O Hino dos Romeiros de S. Martinho

Na descrição dos símbolos dos Romeiros de São Martinho faltava escrever sobre o Hino dos Romeiros.


Tempo de Leitura: 6 min

Entendi que os Romeiros deviam ter um hino. O Hino dos Romeiros devia ser uma marcha com um pouco de religiosidade. 

Não sei música, mas quando era adolescente, como a maioria dos rapazes dessa altura, conhecia os acordes da viola e cantava os temas da época com outros que tentavam imitar os Shadows, os Beatles e entre nós os Concha e os Sheiks. O Chabi, solista dos Sheiks, era meu Colega no Liceu Camões e no prédio onde eu vivia, quando era estudante de medicina, encontrava-me com o vizinho do quarto andar, com a mesma idade da minha, e inventávamos letras e canções que reproduzíamos de ouvido, pois também ele não sabia música.

Às voltas com a ideia que tinha de compor o hino dos Romeiros, fui para o Algarve para participar no Congresso Português de Cardiologia. Numa das sessões era orador um cardiologista inglês que me não prendeu a atenção e no silêncio da sala cortada pela exposição em tom monótono do tal orador inglês, fui imaginando a música do Hino dos Romeiros.

No fim da sessão procurei a minha Mulher e contei-lhe que compusera o Hino dos Romeiros e que queria ouvir o seu parecer sobre a minha composição. Trauteei-a e a minha Mulher gostou.

Agora teria de escrever a letra. Devia falar da nossa amizade como Irmãos da Confraria, dos cavalos, da Golegã e de São Martinho. 

Nessa noite acabei a letra. Chegado a Lisboa gravei o hino, tocado por mim à viola, e fiz várias fotocópias do texto da letra.

A Páscoa era daí a uns dias. Nesses tempos reuníamo-nos em Família no Domingo de Páscoa, quase como se fosse a véspera de Natal. Pedi a todos os meus familiares presentes que cantassem o Hino dos Romeiros, depois de ouvirem a gravação da música. Entre risos e desafinações lá conseguimos cantar em uníssono, depois de várias tentativas, e todos acharam que estava bem.

No jantar no Lusitanos com o Romeiro Mor, Dr. José Veiga Maltez, e dos Conselheiros, Luís Aguiar de Matos, José Canelas e Manuel Tavares Veiga, levei um gravador portátil e depois de “passar” o Hino cantado pela minha família no Domingo de Páscoa pedi-lhes parecer. O Hino dos Romeiros foi aceite por todos.

Em Cascais procurei a minha amiga Isabel Alberty, filha de uma professora de piano e com grande cultura musical, para que me escrevesse na pauta a música que eu compusera. Embora provavelmente não seja nada de especial, para mim pareceu-me extraordinário como a Isabel, ouvindo-me cantar, escreveu e tocou depois ao piano o Hino dos Romeiros.

Voltei à Golegã e solicitei ao Maestro Luís Carreira que fizesse os arranjos para que o hino pudesse ser cantado pelo grupo coral da Golegã “Cantar Nosso”. Nesse dia, com alguma emoção, ouvi o Hino dos Romeiros cantado por aquele grupo coral.

Voltei satisfeito para Lisboa e a meio caminho o “mãos livres” do telemóvel tocou. O Maestro Luís Carreiras informava-me que a música tinha de ter uma introdução e que era urgente que eu a fizesse. Disse-lhe que ia a caminho de Lisboa e que lhe telefonaria antes de chegar ao meu destino para lhe cantar a introdução que ele me solicitava. Assim fiz. Quando ouvirem o hino já sabem que as notas musicais que precedem o início do canto foram inventadas na autoestrada de Torres Novas para Lisboa.

A gravação ficou a cargo do Maestro José Dias a quem sugeri que inserisse como fundo ruído dos cascos e do rodados dos carros de cavalos. Se possível ainda o som do sino da Igreja Matriz. Assim fez o Maestro José Dias. Por fim solicitei ao Romeiro Mor que escrevesse e lesse um texto referente à Romaria e aos Romeiros de São Martinho-Cavaleiros da Tradição de Portugal.

O CD foi posteriormente gravado e acompanha o pequeno livro onde conto de modo sucinto o que agora me alarguei a descrever com pormenores. 

Acabei nesta crónica a descrição dos símbolos dos Romeiros de São Martinho. Os Romeiros que me leram divulguem o que aqui escrevi. É fundamental que saibamos como nasceu a Irmandade dos Romeiros de São Martinho e o que significam os seus símbolos, para que, como muitas outras coisas, não sejam distorcidas por quem não leu nada disto nem teve nada a ver com o assunto,
ou se perca na voracidade da informação fugaz e massiva que nos esmaga todos os dias.

Artigo publicado in Revista Equitação n.º 116 (2015)

 

Veja também:

- O SIGNIFICADO DA CRUZ DOS ROMEIROS DE SÃO MARTINHO

O VEXILO DOS ROMEIROS DE S. MARTINHO

A CAPA DOS ROMEIROS DE SÃO MARTINHO

O BASTÃO DO MESTRE DA ROMARIA DE SÃO MARTINHO

Autor:

João Pedro Gorjão Clara

equitacao@invesporte.pt

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